Abandonada, obra do governo paulista de R$ 61 milhões abriga morcegos. Veja vídeo

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A obra da pista de atletismo da Vila Olímpica Mario Covas, na zona oeste de São Paulo, está paralisada há nove meses. A área permanece abandonada, com materiais de construção expostos ao sol e à chuva, além de colônias de morcegos no interior, sinalizando o abandono da intervenção.

A obra foi licitada em agosto de 2022 por R$ 40,3 milhões. Quando cerca de R$ 37 milhões já haviam sido pagos à Recoma, vencedora da licitação, a Secretaria Estadual de Esportes de São Paulo rescindiu o contrato de forma unilateral. A empresa afirma ter concluído aproximadamente 80% da obra.

A rescisão ocorreu após a Recoma solicitar o quarto termo aditivo, que elevaria o custo para R$ 50 milhões e estenderia o prazo de entrega de janeiro de 2024 para julho de 2025. Para finalizar a obra, o governo abriu um novo convênio de R$ 24,7 milhões, somando aos R$ 37 milhões já liberados, totalizando R$ 61,7 milhões.

Segundo a Secretaria, a pista precisará ser totalmente refeita, o que representaria cerca de 30% do valor total da intervenção. O novo orçamento também levaria em conta a recomposição e reexecução de outros serviços, além da atualização de preços para maio de 2025, em comparação com a data-base de fevereiro de 2022.

A nova licitação está suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que viu possibilidade de desperdício do trabalho já realizado até o momento. A secretaria afirmou que está avaliando os ajustes necessários para a execução de um novo contrato e que atendeu às recomendações do TCE-SP ao longo do processo.

Para a Recoma, a conclusão dos 20% restantes da obra poderia ocorrer com o valor já previsto nos aditivos, em aproximadamente 6 meses, enquanto uma nova licitação poderia levar 18 meses. A empresa sustenta que finalizaria dentro de um custo de cerca de R$ 50 milhões.

Cronologia da obra

Agosto/2022: licitação de R$ 40,3 milhões com prazo de 18 meses (até janeiro de 2024). Fevereiro/2024: aditivo prorrogando para agosto de 2024. Agosto/2024: novo aditivo até outubro de 2024 devido chuvas. Outubro/2024: aditivo até janeiro de 2025 para instalação de cubículos elétricos e cavalete de água. Janeiro/2025: quarto aditivo, prorrogando até 31/07/2025 e aumentando em R$ 2,7 milhões. O último pedido levou à rescisão do contrato, e o governo abriu novo edital, que é contestado pelo TCE-SP.

Abandono da obra contrasta com a Vila Olímpica Mario Covas, comumente usada pela população, especialmente nos finais de semana. Em visita recente, a reportagem constatou grama sintética danificada, duas quadras de basquete com tabelas quebradas, buracos na pista de skate e estruturas metálicas expostas à chuva. A secretaria informou que realiza manutenções de primeira linha e avalia reformas para reabrir o espaço ao público.

A área onde fica a intervenção permanece fechada ao público, e a reportagem verificou que a pista está tomada pela vegetação que cresceu nesses nove meses sem atividade. Os materiais de construção, incluindo lâminas de vidro, estão expostos à incidência de calor e chuva, aumentando as preocupações com segurança e qualidade do que já foi feito.

O abandono da obra contrasta com o uso da Vila Olímpica, que costuma receber a comunidade, especialmente aos fins de semana. A reportagem também viu problemas de manutenção na grama sintética, no piso de skate e em estruturas de basquete, reforçando a necessidade de reformas para viabilizar o retorno das atividades.

Moradores e frequentadores aguardam uma definição sobre os próximos passos, enquanto o episódio evidencia como falhas em contratos públicos podem comprometer intervenções pensadas para beneficiar a cidade. A secretaria enfatiza que está trabalhando para regularizar a situação e retomar as atividades com segurança.

Fique de olho: o desenrolar dessa obra afeta não apenas números orçamentários, mas o bem-estar de quem utiliza o espaço para prática esportiva e lazer. Queremos ouvir a sua opinião sobre o que ocorreu e como a cidade pode evitar que intervenções públicas fiquem paralisadas no futuro. Comente abaixo com seus pensamentos e sugestões.

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