INSS: igreja de dona de ONG investigada retira fachada após escândalo

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A placa de identificação da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, localizada no Recanto das Emas, a cerca de 32 km da área central de Brasília, foi retirada dias depois que o Metrópoles revelou que a igreja pertence a uma sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), ONG investigada pela CGU por fraude no INSS.

Tanto a AAB quanto a Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer) têm como sede o mesmo prédio comercial no Setor Comercial Sul de Brasília. As duas aparecem na lista de Processos Administrativos de Responsabilização (PAR) abertos pela CGU por supostos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.

Além disso, dezenas de CNPJs funcionam na mesma edificação, com empresas ligadas a Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor da Conafer, ocupando o andar superior do sobrado. A reportagem identificou o mesmo espaço abrigando entidades vinculadas aos donos das duas organizações.

Cícero Marcelino de Souza Santos foi preso em 17 de novembro de 2025, durante operação da Polícia Federal. Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, também integrante da Conafer, foi preso no âmbito da mesma ação. Em depoimento, Cícero admitiu abrir empresas para prestar serviços a pedido de Carlos Lopes, recebendo planilhas de pagamentos e fazendo o repasse; ele afirmou não conhecer Samuel, apesar de haver CNPJs no mesmo endereço.

Santos e sua esposa teriam movimentado aproximadamente R$ 300 milhões desde 2019, segundo apurações. Em depoimento à CPMI, ele foi descrito como alvo de empresas de “laranja” ligadas à Conafer, reforçando a versão de que há estruturas separadas para facilitar o desvio de recursos.

Operação Sem Desconto A PF e a CGU deflagraram, em 13 de novembro de 2025, uma nova fase da Operação Sem Desconto, que mira um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. A ação mobilizou equipes em 17 estados, além do Distrito Federal.

Ao todo, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e várias medidas cautelares. Entre os presos estão:

  • Alessandro Stefanutto – ex-presidente do INSS;
  • Antônio Carlos Antunes Camilo, conhecido como Careca do INSS;
  • Vinícius Ramos da Cruz – presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT);
  • Tiago Abraão Ferreira Lopes – diretor da Conafer e irmão do presidente da entidade, Carlos Lopes;
  • Cícero Marcelino de Souza Santos – empresário ligado à Conafer;
  • Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior – integrante da Conafer.

Os alvos da operação estavam distribuídos por Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal.

Segundo as investigações, os suspeitos inseriam dados falsos em sistemas oficiais para incluir beneficiários em entidades fictícias. A partir disso, eram realizados descontos mensais indevidos nos pagamentos de aposentados e pensionistas, muitos sem conhecimento sobre as cobranças.

Os suspeitos são investigados por formar uma organização criminosa voltada à obtenção de vantagens financeiras por meio de estelionato previdenciário, além de corrupção ativa e passiva para facilitar o acesso fraudulento aos sistemas do INSS. Também há apurações sobre ocultação de patrimônio utilizado para dificultar o rastreamento dos valores desviados.

O outro lado O Metrópoles tentou contatar as pessoas citadas no texto por e-mail e telefone, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.

Veja a galeria de imagens associadas à matéria, com registros da retirada da fachada e do endereço envolvido, que ajudam a entender o contexto da investigação.

Em síntese, os eventos expõem o funcionamento de uma rede com ligações entre igreja, ONG e empresas no centro político-administrativo do país, com alegações de desvio de recursos públicos e uso de estruturas falsas para facilitar o acesso a benefícios do INSS.

A reportagem do Metrópoles tentou contato com as pessoas citadas, sem retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para novas manifestações à medida que surgirem desenvolvimentos.

Gostou do desdobramento desta investigação? Deixe seu comentário com sua opinião sobre os desdobramentos e o impacto dessas fraudes no sistema previdenciário. Sua leitura ajuda a ampliar o debate sobre transparência e fiscalização.

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