BRB achou “padrão documental diferente” em carteira do Master

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O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou à Polícia Federal ter encontrado um “padrão documental diferente” nas carteiras repassadas pelo Banco Master apenas após um ano de negociação com o banco de Daniel Vorcaro, hoje alvo de investigações no STF após a tentativa de compra do Master pelo BRB.

No depoimento de 30 de dezembro de 2025, ao Metrópoles, Paulo Henrique contou que só identificou o padrão diferente depois de diversas transações em várias carteiras. “Começamos a comprar carteiras de crédito do Banco Master em julho de 2024. Compramos durante o ano de 2024 inteiro”, afirmou.

Ele disse que as carteiras tinham desempenho adequado e não apresentavam suspeitas, mas que, no fim de abril de 2025, ao considerar o tamanho das carteiras, surgiu o padrão documental diferente. A Tirreno passou a figurar no cenário, conforme o relato.

Paulo Henrique relata as suspeitas sobre as carteiras surgem com a chegada da Tirreno. Ele diz que as anomalias apareceram diante de uma atuação do próprio Comitê de Auditoria do BRB. Ressalta ainda que por uma “comunicação de boa-fé”, o BRB informou ao Banco Central, no dia 25 de maio, que estava lidando com uma carteira com um padrão documental diferente.

Questionado sobre o alcance dos termos do contrato com a Tirreno, Paulo Henrique disse que não tinham conhecimento disso. “A partir dessas exigências adicionais surgiu a figura da Tirreno e recebemos esses documentos entre o final de abril e o início de maio”, relatou.

As informações prestadas por Paulo Henrique são idênticas às do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, que confirmou ao Metrópoles que o BC sabia que as carteiras da Tirreno vendidas pelo Master ao BRB, por R$ 12,2 bilhões, eram podres desde março de 2025, oito meses antes da liquidação do BRB, e que as informações foram prestadas pelo BRB, após pedido do BC.

O Banco Central afirmou ter elementos de verificação diferentes de uma instituição financeira e que as informações foram utilizadas no âmbito da fiscalização, conforme registro na apuração.

Após identificar a venda de uma carteira de terceiros, o ex-presidente do BRB informou ter parado de fazer seções em carteiras com as características da Tirreno. Segundo ele, as operações cessaram em 15 de maio, mantendo apenas volumes menores de carteiras com adimplência semelhante à de 2024.

O Master foi liquidado em novembro de 2025, seis meses depois da PF deflagrar a Operação Compliance Zero, que investiga uma suposta fraude na venda das carteiras da Tirreno do Master para o BRB.

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Palavras-chave: BRB, Banco Master, Tirreno, Paulo Henrique Costa, Polícia Federal, STF, Banco Central, Compliance Zero, 12,2 bilhões.

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