Pesquisa: 6% de quem recebe benefício social no DF fazem aposta on-line

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Estudo no Distrito Federal aponta dependência de benefícios sociais entre apostadores e panorama da regulação

No Distrito Federal (DF), o estudo “Apostadores no Distrito Federal: Diagnóstico comportamental e sociodemográfico”, realizado pelo IPEDF em parceria com a Secretaria da Família (Sefami-DF), aponta que 5,8% dos apostadores dependem de benefícios sociais para viver. O levantamento ouviu 1.827 pessoas entre 8 e 25 de setembro de 2025.

Entre os dados, 35% dos entrevistados apostaram nos últimos 12 meses, acima do Lenad 2024 para o Centro-Oeste (18,7%).

A maior incidência de dependência ocorre entre usuários de cassinos online, o chamado “Tigrinho”. Parte dos apostadores reconhece usar o benefício social para apostar. Marcela Machado, diretora de estudos e políticas sociais do IPEDF, ressalta que 5,8% não é pouco: quando visto junto à renda, o percentual ganha relevância.

“Em vez de investir na compra de alimentos para a família, parte dessa renda está sendo destinada às apostas. Não são 0,1%. São 5,8%.”

Entre os benefícios, 64,9% dos entrevistados são beneficiários do Bolsa Família; 21,6% recebem o Cartão Prato Cheio. A aposentadoria/auxílio-doença e o BPC/LOAS somam 8,1% cada. O Auxílio gás atinge 5,4%, enquanto DF Social e pensão por morte aparecem como benefícios residuais, cada um com 2,7%.

O estudo indica que o perfil socioeconômico dos apostadores envolve renda média-baixa, com concentração entre quem recebe até um salário mínimo. A participação é maior entre homens jovens, com emprego no setor privado (38,3%) e autônomos (22,5%). Desempregados somam 3,9%, aposentados 11,6% e empresários 4,8%.

A motivação mais citada é o ganho financeiro (85,5%), seguida de prazer ou diversão (11,1%) e socialização com familiares e amigos (7,3%

Sobre escolaridade, os apostadores se concentram no ensino médio completo e no superior incompleto: 44,4% com ensino médio completo e 19,9% com superior incompleto. No ensino médio incompleto, ficam 6,4%, e no superior incompleto, 10,2%. Entre pós-graduação, a presença é de 5,6%; a distribuição é próxima à da população em geral, não servindo como marcador claro de comparação entre apostas e não apostas.

Na migração digital, as loterias continuam sendo a modalidade mais popular, com uso mais frequente entre o público mais velho. Modalidades digitais, como cassinos online (jogo do tigrinho) e apostas esportivas, concentram usuários mais jovens, com uso diário, maior comprometimento financeiro e maior volume de gastos. Em síntese, quanto mais digital e disponível é a modalidade, maior o risco de perda de controle sobre os gastos.

Quanto à regulamentação de cassinos virtuais e apostas esportivas, as opiniões estão divididas: quase metade é a favor, a outra metade é contra. A pesquisadora aponta que não há consenso sobre o que a regulamentação traria ao cenário. Marcela Machado defende que uma regulação responsável pode trazer políticas de prevenção, informações mais claras para o consumidor e proteção para grupos vulneráveis e beneficiários.

Em síntese, a pesquisa sugere que a sociedade ainda não possui uma posição consolidada sobre o tema, enquanto a prática de apostas digitais se amplia e o conhecimento dos riscos aumenta. A regulação, para ser eficaz, precisa equilibrar educação, proteção e prevenção sem frear o acesso a modalidades legais.

Se você acompanhou esses dados, compartilhe sua opinião nos comentários. Como você enxerga a relação entre benefícios sociais, vulnerabilidade econômica e o crescimento das apostas digitais na sua cidade?

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