Sucessão de falhas: veja o que deixou servidora em estado vegetativo

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Um documento apresentado pela defesa da servidora pública Camila Nogueira, de 38 anos, aponta supostas falhas médicas ocorridas durante um procedimento cirúrgico que resultou em estado vegetativo. A peça pede o afastamento imediato e a cassação do registro profissional de três médicos que compunham a equipe cirúrgica.

No dia 27 de agosto de 2025, Camila foi ao hospital para uma cirurgia de retirada da vesícula e correção de hérnia, considerada de baixo risco. Mesmo assim, ela enfrentou sofrimento respiratório e passou a apresentar sequelas permanentes.

Segundo a representação enviada ao Cremepe, a anestesista Mariana Parahyba e as cirurgiãs Clarissa Guedes e Danielle Teti teriam desconsiderado sinais de que a paciente não estava bem.

O documento sustenta que Camila apresentava episódios de apneia, com interrupções na respiração, e que os alarmes dos equipamentos teriam sido desconsiderados pela equipe por mais de um minuto e 42 segundos.

A paciente permaneceu em quadro de sofrimento respiratório por aproximadamente 15 minutos. Por volta das 11h16, evoluiu para uma parada cardiorrespiratória, que só foi clinicamente identificada pela equipe por volta das 11h18. A reanimação ocorreu apenas às 11h33, com sequelas neurológicas permanentes.

Desde então, Camila continua internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado vegetativo, precisando de ajuda para realizar até mesmo tarefas simples do dia a dia. O hospital não havia se pronunciado até a última atualização desta matéria.

A defesa afirma que a investigação deve ocorrer com sigilo, para não comprometer o andamento do processo, conforme o Cremepe informou sobre o sigilo de denúncias e sindicâncias regidas pelo Código de Processo Ético-Profissional.

Procurado, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe) informou que todas as denúncias recebidas e sindicâncias instauradas pela autarquia correm em sigilo processual para não comprometer a investigação e que os expedientes são regidos pelo Código de Processo Ético – Profissional (CPEP), estabelecido pela Resolução CFM n° 2.306/2022.

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“Família despedaçada”

O pai de Camila, Roberto Wanderley Nogueira, desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, disse estar despedaçado com o que aconteceu. “Episódios como esse, que vitimou a minha filha, não podem se repetir. Um paciente em apneia não pode sofrer intervenção cirúrgica eletiva. Isso está documentado e a família não busca segredo, apenas transparência para evitar que fatos semelhantes se repitam com terceiros”, afirmou à coluna.

Paulo Nogueira, marido de Camila e pai de dois filhos, descreveu a transformação da esposa de atuar com desenvoltura para uma pessoa que hoje transita entre o estado neurovegetativo e o mínimo de consciência, destacando as responsabilidades que precisou assumir desde então.

Camila permanece na UTI e a família acompanha o caso em busca de respostas sobre as falhas alegadas e as providências médicas cabíveis. A matéria não aponta a responsabilidade definitiva, mas ressalta a necessidade de investigação célere e transparente.

E você, qual é a sua opinião sobre casos envolvendo alegadas falhas médicas em cirurgias eletivas e as medidas de acompanhamento que devem ocorrer para garantir segurança aos pacientes? Compartilhe sua visão nos comentários.

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