Os picos de glicose no sangue, comuns após a ingestão de determinados alimentos, podem trazer prejuízos à saúde mesmo em pessoas que não têm diabetes. O alerta é do endocrinologista Eduardo Vilela, do Centro Clínico Diem, que explica como esses aumentos rápidos da glicose estão diretamente ligados ao padrão alimentar, à prática de atividade física e ao desenvolvimento da resistência à insulina.
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Segundo o médico, alimentos de alto índice glicêmico — como açúcar, pães, arroz e outros carboidratos refinados — são rapidamente convertidos em glicose na corrente sanguínea. Esse processo provoca uma resposta intensa do pâncreas, com liberação elevada de insulina, o que, ao longo do tempo, pode sobrecarregar o organismo.
Entenda
- Picos de glicose não afetam só diabéticos: mesmo pessoas sem diabetes podem desenvolver resistência à insulina.
- A ordem dos alimentos faz diferença: consumir proteínas antes dos carboidratos ajuda a reduzir os picos glicêmicos.
- Exercício físico é aliado fundamental: a musculação é apontada como a atividade mais eficaz no controle da glicose.
- O corpo dá sinais de alerta: manchas na pele, gordura abdominal e cansaço excessivo podem indicar alterações metabólicas.
De acordo com Eduardo Vilela, quando a glicose sobe rapidamente no sangue, a insulina também aumenta para permitir a entrada desse açúcar nas células.
“O problema é que, em excesso, a célula começa a se defender, reduzindo seus receptores. Esse processo leva à chamada resistência insulínica”, explica.
A prática regular de atividade física é uma das principais estratégias para evitar esse quadro. O endocrinologista recomenda ao menos 150 minutos semanais de exercícios moderados a intensos.
“Qualquer atividade ajuda, mas a musculação é a mais eficiente para melhorar o metabolismo, aumentar a sensibilidade à insulina e favorecer a queima de gordura”, afirma.

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Estudos recentes também indicam que o fim do dia pode ser um bom horário para o treino, embora o mais importante seja a regularidade.
Ordem da refeição evita picos de glicose
Outro ponto destacado pelo especialista é a ordem de consumo dos alimentos. Iniciar a refeição pelas proteínas ajuda a retardar o esvaziamento gástrico, fazendo com que os carboidratos sejam absorvidos mais lentamente. “Só essa mudança já reduz o pico de glicose e de insulina”, ressalta.
No dia a dia, os hábitos que mais contribuem para os picos glicêmicos são o consumo frequente de açúcares, amidos e carboidratos de rápida absorção.
Com o tempo, o corpo começa a demonstrar sinais claros de alerta, como o surgimento da acantose nigricans — manchas escuras em regiões de dobra da pele, como pescoço e axilas —, além do aumento de gordura abdominal.

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Exames laboratoriais também ajudam no diagnóstico, como alterações na glicose, na insulina e em índices que avaliam a resistência insulínica. Sintomas como sede excessiva, aumento da frequência urinária, cansaço constante e até a presença de glicose na urina reforçam a necessidade de atenção.
“Ao perceber esses sinais, é fundamental procurar um especialista para uma avaliação adequada e acompanhamento”, orienta Eduardo Vilela. Para o endocrinologista, prevenir os picos de glicose é uma medida essencial para preservar a saúde metabólica e evitar complicações futuras.

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