O novo modelo de negociações para pôr fim à guerra entre Rússia e Ucrânia começa a ganhar forma, com a primeira reunião trilateral entre Moscou, Kiev e Washington abrindo espaço para uma redução temporária da escalada militar, ainda que o ritmo permaneça cauteloso.
Um gesto diplomático articulado pelos Estados Unidos abriu espaço para uma trégua temporária. A Rússia concordou em suspender ataques aéreos contra Kiev até este domingo, após um pedido direto de Donald Trump ao presidente Vladimir Putin, conforme informou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
A medida ocorre em meio a uma onda de frio extremo na Ucrânia. Meteorologistas alertam para temperaturas que podem chegar a -26°C em Kiev, agravando a crise na infraestrutura de energia. Bairros inteiros ficaram sem luz e aquecimento, em um dos invernos mais rigorosos desde o início do conflito.
Zelensky afirmou que não há cessar-fogo formal em vigor, descrevendo a oportunidade como uma janela, não um acordo.
Nova rodada de conversas trilaterais
O Kremlin informou que uma nova rodada de negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos está prevista para este domingo em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, coincidindo com o fim da trégua temporária.
Segundo Peskov, a data ainda é provisória, mas serve como referência para a continuidade das tratativas. Ele reforçou que, no momento, não há discussão pública sobre documentos ou listas de compromissos, destacando o caráter sensível do processo.
Há discussões paralelas envolvendo representantes militares e de inteligência, com foco em mecanismos de verificação, parâmetros para cessar-fogo e garantias de segurança.
Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky confirmou que discussões preliminares indicam a continuidade do diálogo na mesma data, com as conversas anteriores descritas pela Ucrânia e pelos Estados Unidos como construtivas.
O Kremlin reconheceu o tom inicial positivo, mas ressaltou que ainda há muito trabalho pela frente.
Impasses centrais seguem intactos
- Apesar do novo fôlego diplomático, os principais entraves permanecem.
- O chanceler ucraniano Andrii Sybiha afirmou que Zelensky está disposto a se reunir pessoalmente com Putin para discutir os pontos sensíveis do plano de paz de 20 pontos.
- Especialmente a questão territorial e o futuro da usina nuclear de Zaporizhzhia, ocupada pela Rússia.
- Atualmente, Moscou controla cerca de 20% do território ucraniano reconhecido internacionalmente, incluindo as regiões de Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia.
- A exigência russa de que Kiev reconheça formalmente essas regiões é considerada inaceitável pelo governo ucraniano.
- Zelensky rejeitou a proposta de Moscou para encontros em Moscou, mas abriu espaço para um encontro em formato considerado apropriado.
Cooperação humanitária em meio à guerra
Mesmo com os impasses, gestos pontuais de cooperação seguem ocorrendo. Rússia e Ucrânia realizaram a primeira troca de corpos de soldados mortos em combate em 2026. Moscou devolveu os restos de 1.000 militares ucranianos, enquanto recebeu 38 corpos de soldados russos, em operação com apoio da Cruz Vermelha Internacional.
A troca humanitária é uma das poucas áreas de consenso entre os dois países desde 2022.
Diplomacia sob cálculo estratégico
As negociações em Abu Dhabi revelam um desenho mais técnico e menos ideológico no processo diplomático, segundo autoridades ucranianas.
Há discussões paralelas envolvendo representantes militares e de inteligência, com foco em verificação, cessar-fogo e garantias de segurança.
Os Estados Unidos atuam como mediadores centrais, buscando reduzir tensões globais, reorganizar prioridades estratégicas e reabrir canais de diálogo com Moscou, aumentando a pressão sobre Kiev, que é visto como o elo mais vulnerável da negociação.
Analistas ouvidos pelo Metropoles veem o formato trilateral como um desequilíbrio de forças: a Rússia e os Estados Unidos parecem ter maior margem para impor termos, enquanto a Ucrânia tenta evitar que um acordo congele o conflito sob condições desfavoráveis.





O debate atual mostra uma diplomacia em que Estados Unidos buscam reduzir tensões globais, reativar canais de diálogo com Moscou e, ao mesmo tempo, manter pressão sobre Kiev. Especialistas apontam que o equilíbrio de poder favorece quem consegue impor termos, o que pode dificultar concessões territoriais para a Ucrânia.
E você, o que acha dessa estratégia de negociações trilaterais? Comente abaixo suas considerações sobre o papel de cada país e o que esperam dessas tratativas. Suas opiniões ajudam a entender diferentes perspectivas sobre um tema tão complexo.

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