Presidente interina da Venezuela demite ministros ligados a Maduro

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A presidente interina Delcy Rodríguez promoveu uma série de mudanças no governo venezuelano, demitindo figuras importantes previamente ligadas a Nicolás Maduro e atingindo ministérios-chave como Defesa, Habitação e Moradia, Energia Elétrica e Transportes. O movimento — anunciado nesta quarta-feira — sinaliza uma reconfiguração significativa na gestão do país e põe em foco a direção política adotada pela atual liderança, especialmente em um momento de maior aproximação com os Estados Unidos.

Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela

O destaque da mudança é a pasta da Defesa, onde o general Vladimir Padrino López foi afastado após comandar o Ministério desde 2014. Em seu lugar assumiu o general Gustavo González López. A ruptura na linha de comando militar é relevante porque Padrino López sempre foi visto como uma figura de peso no aparato estatal, com influência direta sobre a segurança interna e a política de defesa do país.

As autoridades dos Estados Unidos mantêm o antigo ministro sob forte escrutínio por acusações de envolvimento com o tráfico de drogas. Em janeiro de 2025, o Departamento de Estado anunciou uma recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levem à prisão de quem atue no alto escalão do governo venezuelano, destacando o peso das tensões entre Washington e Caracas e o possível impacto dessas mudanças na cooperação regional.

Paralelamente, a intervenção dos EUA, também anunciada neste início de ano, reforçou a leitura de que o novo estágio político venezuelano está ligado a uma reorientação de relações com a Otan e, principalmente, com Washington. A notícia aponta que Maduro e a primeira-dama e deputada Cilia Flores teriam sido capturados e enviados aos Estados Unidos, onde aguardam julgamento por supostos delitos de tráfico internacional — um desdobramento que, se confirmado, alteraria drasticamente o cenário regional.

Desde a saída de um dos herdeiros políticos de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, o país tem passado por uma linha de mudanças, ainda que sob a influência do chavismo. O texto aponta aproximação com os Estados Unidos e uma possível retomada de relações diplomáticas, incluindo um eixo de cooperação no setor petrolífero venezuelano, o que marcaria uma guinada estratégica para Caracas e para a região.

Em meio à esquadra de mudanças, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a elogiar Delcy Rodríguez em diversas ocasiões, sugerindo que a líder interina poderia pagar um “preço alto” se não alinhá-la com os interesses norte-americanos. O tom sugere uma leitura de que a nova fase venezuelana pode ter como referência maior receptividade às políticas norte-americanas, ainda que os desdobramentos permaneçam incertos e controversos para a população local.

Histórica e politicamente, a Venezuela tem enfrentado uma trajetória complexa desde a era de Hugo Chávez, com oscilações entre confrontos internos e tentativas de reconfiguração externa. O atual movimento de Rodríguez aparece como um marco de tentativa de reordenação institucional, em um momento em que a economia, a segurança pública e a diplomacia regional estão sob atenção internacional. A leitura dos próximos meses dirá se tais mudanças consolidam estabilidade ou ampliam as tensões com setores contrários ao governo.

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