Polícia detalha como técnico de enfermagem causou mortes com injeções de desinfetante

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A Polícia Civil do Distrito Federal investiga mortes ocorridas no Hospital Anchieta, em Taguatinga, associadas a um técnico de enfermagem. Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, é apontado como responsável, segundo apuração que envolve ainda duas colegas — Marcela Camilly Alves da Silva, 22, e Amanda Rodrigues de Sousa, 28 — que também foram detidas. Os episódios ocorreram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde três pacientes morreram após supostas intervenções com desinfetante e cloreto de potássio.

As vítimas são Miranilde Pereira da Silva, 75 anos; João Clemente Pereira, 63, que apresentava tonturas há um mês e tinha hematoma na membrana que reveste o cérebro; e Marcos Raymundo Moreira, carteiro, internado no Anchieta em 18 de novembro com suspeita de pancreatite. A apuração aponta relação direta entre as mortes e as ações dos técnicos na UTI. Imagens de segurança mostram que João Clemente também recebeu as substâncias, sofrendo parada cardiorrespiratória e sendo reanimado.

Segundo a perícia, cerca de 40 minutos após a primeira aplicação, Marcos Vinicius realizou uma segunda dose de medicamento. Miranilde sofreu nova parada e foi socorrida, sobrevivendo. Horas depois, ele administrou cloreto de potássio em João Clemente, que também teve parada cardíaca, mas foi reanimado. Em seguida, Miranilde enfrentou uma quarta parada após a aplicação do desinfetante, vindo a falecer. O técnico ainda teria aplicado novas injeções antes de a vítima morrer.

Pouco depois, o técnico aplicou novamente desinfetante diante das técnicas de enfermagem Marcela e Amanda. A apuração aponta que os três participaram dos procedimentos de ressuscitação. Na mesma noite, o irmão de Miranilde, que acompanhava a vítima, informou a equipe médica. A terceira vítima, Marcos Raymundo Moreira, também faleceu após as jornadas de internação e intervenções ligadas aos técnicos, conforme a polícia.

O técnico Marcos Vinicius está preso temporariamente na carceragem do Complexo da Polícia Civil do DF. A defesa dele não negou as acusações, mas disse que só se manifestará nos autos do inquérito, que tramita sob sigilo. Já Marcela da Silva reiterou que lamenta o ocorrido e que a dignidade e a verdade serão restabelecidas no processo, enquanto Amanda de Sousa afirmou ter tido um relacionamento com Marcos Vinicius, sem detalhar.

O Hospital Anchieta informou ter demitido os três auxiliares e acionado a Polícia Civil após identificar circunstâncias atípicas nas mortes de três pacientes da UTI. A instituição destacou que a sindicância interna foi rápida e rigorosa, que repassou todas as informações e evidências às autoridades e que está em contato com as famílias das vítimas, mantendo o segredo de justiça. A nota reforçou o compromisso com a segurança dos pacientes, a verdade e a justiça.

As autoridades continuam a apurar as circunstâncias do caso, com o hospital ressaltando o seu compromisso com a segurança da cidade e a necessidade de protocolos mais rigorosos em unidades de internação. Diante de relatos tão graves, fica a reflexão sobre a importância de rígidos controles de conduta na assistência à saúde.

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