A passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, reabriu parcialmente nesta segunda-feira, permitindo trânsito nos dois sentidos apenas para moradores, sob condições muito restritas. Nos primeiros dias, apenas 50 pessoas poderão transitar, sinalizando um início cauteloso de retomada após o fechamento ocorrido em 2024.
A abertura atende a reivindicações da ONU e de organizações humanitárias, mas a passagem ainda não recebe ajuda internacional direta. A decisão acompanha a chegada da missão europeia de vigilância EUBAM Rafah, que acompanhará os procedimentos de trânsito.
Segundo a imprensa egípcia, nos primeiros dias apenas 50 pessoas poderão cruzar pelo lado egípcio; a televisão israelense Kan informou que cerca de 150 pessoas sairão de Gaza nesta segunda-feira, entre elas 50 doentes, e outras 50 chegarão do Egito. O funcionamento deve ocorrer por aproximadamente seis horas diárias.
Uma fonte na fronteira disse à AFP que apenas algumas dezenas chegaram pelo lado egípcio, na expectativa de atravessar. As autoridades israelenses, que controlam o posto do lado palestino, não deram indícios de um aumento na ajuda a Gaza.
A assistência internacional que já chega é encaminhada pelo posto de Kerem Shalom, a poucos quilômetros de Rafah. No dia a dia, pacientes e feridos aguardavam a reabertura da única passagem para o mundo externo que não depende de Israel, destacando o drama humanitário na fronteira.
“Salva-vidas”, definem alguns pacientes. Zakaria, de 39 anos, ferido em 2024, teme que médicos precisem amputar suas duas pernas. Mohamed Nasir diz que precisa de uma cirurgia que Gaza não oferece. A estudante Asma Al Arqan acredita que a abertura de Rafah pode abrir caminho para estudos no exterior.
O que está em jogo também é a visão do presidente dos EUA, Donald Trump, de ampliar a abertura de Rafah como parte de um plano para encerrar o conflito. Desde 7 de outubro de 2023, o conflito já deixou milhares de mortos: pelo menos 1.221 israelenses e 71.795 palestinos, segundo dados oficiais citados pela AFP. O cessar-fogo permanece frágil, com violações diárias e novos ataques divulgados pela Defesa Civil de Gaza.
As autoridades israelenses condicionaram algumas travessias à autorização de segurança prévia, em coordenação com o Egito e sob supervisão da missão europeia em Rafah. Em Gaza, o NCAG deverá entrar com 15 membros para administrar o território durante a transição, ainda sob a autoridade do Conselho da Paz, presidido por Trump.
O posto fronteiriço situa-se em área ainda ocupada pelo Exército israelense, do outro lado da linha amarela. A reabertura total depende de negociações em curso, com perspectivas ainda incertas sobre a entrada de ajuda humanitária e de componentes institucionais para Gaza.
Conte seus pensamentos: a abertura parcial de Rafah é suficiente para mudar a realidade humanitária em Gaza? Deixe seu comentário com a sua opinião sobre o papel da diplomacia internacional neste momento crítico.

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