Tradição centenária, festa de Iemanjá atrai baianos e turistas ao Rio Vermelho

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O mar do Rio Vermelho amanheceu coberto de rosas nesta segunda-feira, quando é celebrado o dia de Iemanjá. No dia 2 de fevereiro, a Rainha do Mar é saudada por baianos e turistas que participam da festa. Nas primeiras horas do dia, diversas embarcações lançam ao mar flores e presentes entregues como oferenda à orixá homenageada neste festejo.

Iemanjá é representada nas religiões de matriz africana como a rainha das águas salgadas e mãe dos orixás. Desde os tempos da colonização, existem registros do culto à orixá na Bahia e em Salvador. Este ano, a comemoração completa 104 anos.

O historiador Rafael Dantas explica que a festa foi influenciada pela forte relação da cidade com o culto às águas. Assim, a tradição foi iniciada no século XX por pescadores do bairro, que presenteavam Iemanjá e pediam sabedoria e proteção.

“Os homens sempre tiveram esse vínculo com o mar de uma forma muito forte. Então esse respeito e saudações aos mares ajudam a compreender essa própria história de Salvador”, afirma o estudioso.

Até hoje, milhares de pessoas levam seus presentes ao caramanchão, espaço que reúne os balaios, e realizam seus pedidos e agradecimentos. Mais tarde, o presente é levado até o mar pelos pescadores, por volta das 16h. Outros devotos optam por realizar a travessia em barcos independentes e deixar as flores no mar.

Balaio de oferendas para Iemanjá

Na multidão, muitos turistas conhecem a festa pela primeira vez, como Patrícia Catarina, moradora de Curitiba, que não conteve as lágrimas ao falar da comemoração. “É emocionante. Eu estou conhecendo a Umbanda e é nela que eu me fortaleço todos os dias. Na Bahia que eu me encontro”, afirmou.

Segundo estimativa da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) do município, até 40% do público é formado por turistas.

O dia também é marcado pela presença de fiéis antigos. Anália Santana é frequentadora há pelo menos 10 anos e afirma ter recebido um “chamado”.

“Eu recebi uma mensagem por sonho, sonhei três dias que eu tinha que vir aqui no mar trazer flores e levar até o presente. Então faço isso. É um prazer vir receber essa energia que só tem na festa de Iemanjá”, contou ao Bahia Notícias.

Com a celebração em Salvador, a cidade reforça sua relação com as águas e as tradições afro-brasileiras que marcam a região há mais de um século, atraindo visitantes de todo o país e do exterior.

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