Grupo Fictor enfrenta pedidos de recuperação judicial e acusações de investidores de ter vendido aplicação financeira dissimulada
Duas empresas do Grupo Fictor ingressaram com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo no último domingo (1º/2). O pleito chegou acompanhado de um bloqueio cautelar de R$ 150 milhões e do pedido de novos ressarcimentos, elevando a soma de credores para quase R$ 4,2 bilhões.
Os aportes contestados foram feitos por meio de uma SOCIEDADE EM CONTAS DE PARTICIPAÇÃO (SCP), que torna o investidor um sócio do grupo. No entanto, quem se sentiu lesado afirma que nunca foi sócio de fato, sugerindo uma estratégia para captar recursos com a rescisão unilateral da sociedade.
Em nota, o grupo disse que pretende pagar os credores “sem deságio” e que o pedido de recuperação judicial busca evitar corridas que coloquem em risco a liquidez e prejudiquem uma solução conjunta.
O advogado Thalisson Maia, de Minas Gerais, relatou oito aportes com taxas de retorno entre 1,5% e 1,55% ao mês. O contrato previa devolução em 60 dias, e Maia — que não se vê como investidor profissional — afirma ter sido lesado, tendo solicitado o resgate em 17 de janeiro, sem recebimento até o momento.
Outras duas ações envolvem mulheres aposentadas. Wilma de Castro investiu R$ 120 mil e recebe apenas R$ 1,9 mil do INSS; Maria Silveira aportou R$ 290 mil. O advogado Silveira aponta que a maioria dos lesados foi lesada por assessores que vendiam a promessa de retorno seguro, sem que o investidor percebesse plenamente o que assinava.
Nessa linha, Silveira também acusa um suposto esquema para blindar o patrimônio do grupo. Segundo a denúncia, a Fictor Invest captava recursos enquanto valores iam para outras empresas do grupo. As sociedades Fictor Holding e Fictor Invest entraram com recuperação judicial, enquanto a Fictor Asset ficou de fora do pedido, o que, segundo o advogado, deixaria o “cofre” intocado. A CVM aponta que a Asset é a gestora oficial dos fundos do grupo, como o Fictor Agro e o Fictor Energia.
A defesa explica que, conforme fichas cadastrais da CVM, a Asset atua como gestora oficial dos fundos do grupo, o que reforçaria a necessidade de incluí-la na discussão. Procurada pelo Metrópoles, a Fictor informou que os casos serão tratados no processo de recuperação judicial e que, assim que o juiz se pronunciar, será apresentado um plano de recuperação.
O Metrópoles também apura que, em ações analisadas, as somas ultrapassam R$ 1 bilhão em ativos sob gestão do grupo. O grupo afirma que está comprometido com um desfecho justo para credores e investidores, respeitando o marco legal vigente.
Como isso afeta você, leitor? Você acha que esse tipo de operação de SCP pode oferecer segurança aos investidores ou representa riscos maiores de desinformação? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte o que pensa sobre o uso de estruturas societárias em captação de recursos.

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