O Brasil enfrenta uma escalada na violência contra animais. Dados do CNJ mostram que as ocorrências de maus-tratos cresceram de forma expressiva nos últimos anos: em 2020 foram 245 registros, e em 2025 já eram 4.919. O salto representa um aumento de 1.400% em relação a 2021, quando o país contabilizava 328 ocorrências.
A progressão oficial aponta um crescimento ano a ano: 2020 (245); 2021 (328); 2022 (1.764); 2023 (2.774); 2024 (4.057); 2025 (4.919).
Investigações recentes ilustram o alcance do problema. Em Santa Catarina, a Polícia Civil concluiu a apuração sobre a morte do cão Orelha e a agressão ao cão Caramelo. Um adolescente foi identificado como responsável após contradições em depoimentos e pela análise de imagens de monitoramento. Itens como um boné rosa e um moletom, que familiares tentaram ocultar, foram determinantes para situar o suspeito. Diante da gravidade, a polícia pediu a internação do jovem.
Em São Paulo, a Polícia Civil resgatou, em agosto do ano passado, 125 animais em maus-tratos dentro de uma ONG em Mairiporã. Entre cães, gatos e porcos, os animais viviam sem água, comida ou cuidados básicos. A responsável pela instituição, uma médica veterinária, foi presa em flagrante por crimes ambientais.
Tráfico de fauna: além da violência doméstica e do abandono, o comércio ilegal de animais silvestres continua sendo um desafio crítico para o sistema jurídico brasileiro. Especialistas destacam que, embora a Lei de Crimes Ambientais e a Lei de Proteção à Fauna existam, as punições ainda são insuficientes para conter as redes criminosas que exploram a biodiversidade.
“Um país tão grande como o Brasil sofre, muitas vezes, com a falta de agentes em número e na qualidade ética para punir. Isso dificulta o enfrentamento eficaz do tráfico”, afirma Vânia Nunes, médica veterinária pela UNESP e diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. O advogado Yuri Fernandes, doutorando em Direito Animal pela UFPR, reforça que a gravidade do problema decorre também da existência de uma legislação ruim que precisa ser melhorada. “É uma situação muito complexa de se resolver. Poderíamos começar com uma legislação mais firme”, resume.
A situação exige respostas mais firmes e fiscalização qualificada para coibir crimes contra animais e reduzir o sofrimento de milhares de vítimas que não podem falar por si mesmas. E você, o que pensa sobre os avanços e desafios no enfrentamento aos maus-tratos e ao tráfico de fauna no país? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe ideias para fortalecer a proteção aos animais na sua cidade.

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