Um italiano de 80 anos, ex-caminhoneiro da região de Friuli-Venezia Giulia, foi interrogado em Milão na segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, sob suspeita de pagar soldados bósnios para atirar em civis durante o cerco de Sarajevo (1992-1996).
A Promotoria de Milão o acusa de homicídio doloso continuado e agravado, motivado por razões desprezíveis, conforme informações da agência Ansa. O caso integra uma investigação que apura a atuação de suspeitos conhecidos como turistas de guerra ou franco-atiradores de fim de semana.
Segundo a Promotoria, o interrogado fazia parte de um grupo de simpatizantes da extrema-direita, com alto poder aquisitivo, que viajavam aos arredores de Sarajevo para contratar atiradores sérvios que sitiavam a cidade. O homem era descrito como ávido caçador, com várias armas de fogo e nostalgia pelo fascismo.
Ele teria se gabado publicamente de ter ido à Bósnia para “caçar pessoas” e, conforme depoimentos apurados pela jornalista Marianna Maiorino — que também foi ouvida no âmbito da investigação —, contava aos amigos nos bares o que fez durante a guerra nos Balcãs, segundo a AFP.
A denúncia que originou a apuração foi apresentada no final do ano passado por Ezio Gavanezzi, com base em dois depoimentos contidos num documentário. Durante o cerco de Sarajevo, o mais longo da história recente, mais de 11.500 pessoas morreram, incluindo centenas de crianças, conforme dados oficiais da Bósnia.
A investigação permanece em andamento, com foco na eventual participação de outros italianos nesse recrutamento de mão de obra para ataques contra civis durante o conflito na Bósnia. Com informações da AFP.
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