Tudo que auditores encontraram nos endereços da Fictor

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TJSP determina auditoria prévia de informações da Fictor na recuperação judicial; visitas revelam endereços inconsistentes

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decretou que uma empresa de consultoria realize uma auditoria prévia das informações apresentadas pela Fictor no pedido de recuperação judicial, protocolado em 1º de fevereiro. A medida busca confirmar a veracidade dos dados relativos às operações e ativos do grupo.

Ao todo, auditores visitaram mais de 15 endereços da Fictor em estados como São Paulo, Goiás, Amazonas, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Em muitos locais, encontraram portas fechadas, salas comerciais vazias e até estruturas que não correspondem ao que consta nos documentos, incluindo um depósito e uma pousada onde, segundo o processo, deveria haver uma usina de energia.

Em Salvador não havia indícios de um escritório da Fictor Invest no endereço indicado. No Rio de Janeiro, em Rio das Flores, a estrutura não possuía identificação e um funcionário informou que ali funcionava uma estação de energia solar, impedindo a entrada do auditor. Em Goiás, a visita a Dynamis Clima revelou que, no mesmo endereço, funciona uma pousada batizada de Riacho dos Pirineus, com a responsável pelo local relatando desconhecer como o endereço entrou no processo de recuperação.

Em Manaus, Amazonas, não foi encontrada qualquer placa ou estrutura da subsidiária; usuários de outra empresa próxima relataram não conhecer a existência da Fictor na região. Já no Rio Verde, Goiás, a auditoria visitou a Fictor Agro Comércio de Grãos, anunciada como base operacional da região Centro-Oeste, mas o local apresentava apenas mobiliário básico e correspondências, sem sinal de atividade.

No estado do Amazonas, em Altazes, a visita ao local que deveria abrigar a FW SPE Solar não encontrou placa ou sinal de operação, apenas um alojamento pequeno, um pátio com máquinas pesadas e pilhas de material de construção. O local era utilizado por trabalhadores de obras rodoviárias da região, sem qualquer ligação clara com a Fictor.

Em Manaus também não havia estrutura para a FW SPE Solar 2; trabalhadores de outra empresa próxima afirmaram desconhecer a subsidiária da Fictor na região. No Rio de Janeiro, em Rio das Flores, a estrutura destinada à Komorebi SCP não possuía identificação, e um funcionário afirmou que ali funcionava uma estação de energia solar, sem permitir entrada do auditor.

Em Jacarepaguá, a Rica Alimentos, que supostamente seria parte do grupo, foi apresentada pela equipe jurídica como não pertencente ao conjunto Fictor, com o contrato de cessão já rescindido. Em Duque de Caxias, o Consórcio Solaris foi localizado em funcionamento, mas o vigilante afirmou desconhecer a empresa, dificultando a entrada do auditor.

Em Minas Gerais, Prados sediava o frigorífico Atalaia, mas a auditoria viu entrada impedida, fotos não autorizadas e impossibilidade de falar com funcionários. Em Maravilhas, o frigorífico Fredini Alimentos funcionava com 430 trabalhadores, conforme relato de funcionários. Já Betim viu a Mellore em operação plena, após aquisição pela Fictor, enquanto Salvador reuniu indícios de filiais sem demonstração de funcionamento no escritório.

Na sede, em São Paulo, os auditores encontraram apenas funcionários da recepção e da limpeza, acompanhados pela equipe de tecnologia da informação; demais departamentos estavam vazios, com móveis de outra empresa no local. A explicação dada pela consultoria foi de que parte da operação mudara de endereço e que muitos funcionários estariam em regime de home office. Também em São Paulo, a Usina Fotovoltaica Beira Rio, em Presidente Epitácio, apareceu vazia, com a justificativa de que a operação é monitorada por ferramentas tecnológicas após chuva de granizo que teria danificado placas recentemente.

Em Sorocaba, a visita foi à Dr. Foods Alimentos, que produz ração para animais de estimação; o funcionamento foi considerado regular apenas pela baixa quantidade de funcionários e insumos, atribuída ao fim de tarde, com produção ocorrendo pela manhã, enquanto os itens necessários eram entregues diariamente.

No conjunto de endereços em Goiás, a auditoria verificou a Fictor Agro Comércio de Grãos em Rio Verde, confirmado pela imprensa como base operacional da região, mas o local continha apenas mobiliário básico e correspondências. Em Cocalzinho, a Dynamis Clima também mostrava uma pousada e um depósito sem identificação, reforçando a inconsistência entre o que consta nos documentos e a realidade percebida pelos auditores.

A investigação também apontou que ao tentar acessar um prédio com várias salas comerciais em Goiá, os funcionários da recepção impediram a entrada e não responderam a questionamentos. Em Salvador, a filial da Fictor Invest não oferecia indícios de funcionamento de um escritório, e a entrada da auditora foi negada.

Na sede, em São Paulo, os auditores constataram que apenas a recepção, a área de limpeza e uma equipe de tecnologia da informação estavam ativas, com os demais departamentos vazios. A explicação da consultoria foi de mudanças de endereço e de regime de home office para parte dos colaboradores, o que gerou dúvidas sobre a real operação do grupo.

A avaliação também indicou que a Usina Fotovoltaica Beira Rio, em Presidente Epitácio, estava com as placas danificadas, segundo a equipe técnica, supostamente devido a uma chuva de granizo, o que contribuiu para questionamentos sobre a continuidade das operações.

Diante dos fatos, o TJSP solicitou que a auditoria prossiga para confirmar os dados fornecidos pela Fictor, avaliando impactos na recuperação judicial. A conclusão final dependerá da verificação das informações apresentadas e da consistência entre documentos e realidade observada nos endereços visitados.

E você, o que acha dessa movimentação do TJSP e das auditorias sobre a Fictor? Deixe seu comentário com seus pontos de vista sobre a veracidade das informações e as implicações para o processo de recuperação judicial do grupo.

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