Como funciona e o que mede o Índice de Percepção da Corrupção

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IPC 2025: Brasil tem a segunda pior nota histórica Em 2025, a Transparência Internacional divulgou que o Brasil registrou 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), numa escala de 0 a 100. O país ficou na 107ª posição entre 182 nações, apenas um ponto acima do pior desempenho já registrado, em 2024. O IPC mede a percepção de corrupção no setor público com base na avaliação de especialistas e executivos, não o número de casos ou desvios, ou seja, não quantifica a corrupção em números, mas observa comportamentos e mecanismos de prevenção.

O IPC não mede a corrupção objetivamente O presidente do Instituto Não Aceito Corrupção (INAC), Roberto Livianu, afirma que o IPC facilita comparações internacionais, mas não é uma medida objetiva da corrupção. “Esse estudo existe há mais de três décadas para comparar o que ocorre em termos de corrupção entre quase todos os países”, ressalta. Ele acrescenta que muitas situações não são notificadas, tornando a massa de casos desconhecida e, portanto, não mensurável.

Ausência de avanços e gargalos internos Com 35 pontos, o Brasil permanece abaixo da média global, que é de 42 pontos. Para Livianu, o resultado reflete a ausência de medidas concretas no período analisado. Ele cita dois gargalos: a regulamentação do lobby e a aprovação de um Código de Conduta para tribunais superiores. “Se tivéssemos implementado um Código de Conduta para os tribunais superiores, o resultado talvez tivesse sido melhor”, afirma. O especialista também critica o aumento das emendas parlamentares, que já ultrapassam 60 bilhões de reais no orçamento de 2026, além do que classifica como orçamento secreto.

Impacto de escândalos na percepção O relatório destaca que 2025 foi marcado por casos de macrocorrupção, como o escândalo do INSS revelado pela Operação Sem Desconto, atingindo centenas de milhares de aposentados, e o caso Banco Master, alvo da Operação Compliance Zero. Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, diz que esses episódios ajudam a explicar o desgaste da democracia e a necessidade de retomar o enfrentamento da corrupção. O cientista político Rodrigo Prando aponta que operações policiais amplamente divulgadas influenciam a percepção, funcionando como um termômetro para tendências de médio e longo prazo, ainda que o IPC não mensure a corrupção em números absolutos.

Caminhos para reverter o quadro Especialistas defendem medidas concretas: fortalecer as instituições, ampliar a transparência, regulamentar o lobby, aprovar códigos de conduta e manter controle rigoroso sobre recursos públicos. Sem esses avanços, a percepção de complacência pode persistir e minar a credibilidade das instituições. Países como Dinamarca e Finlândia lideraram o ranking, com 89 e 88 pontos, respectivamente, por possuírem instituições profissionais, baixa discricionariedade e alta transparência em gastos, licitações e nomeações.

Conclusão e convite ao debate A leitura aponta que a reversão depende de ações firmes e contínuas para fortalecer a governança e reduzir a percepção de corrupção. Como você vê o caminho para um Brasil com menos corrupção e mais confiança nas instituições? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre o tema.

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