Chikungunya pode ser transmitida em grande parte da Europa, diz estudo

Casos de chikungunya sobem no mundo; Europa pode ser mais afetada A chikungunya está em ascensão global e a Europa pode enfrentar surtos maiores do que se imaginava, segundo uma análise publicada no início de fevereiro na revista Journal of Royal Society Interface. O estudo liga o aquecimento global a uma ampliação da janela de transmissão, com temperaturas mais altas por mais tempo.

Com o aumento das temperaturas, o mosquito Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre-asiático, amplia a transmissão. A propagação pode ocorrer por mais de seis meses ao sul do continente, incluindo Espanha e Grécia, enquanto no sudeste da Inglaterra a janela de transmissão já chega a dois meses.

Os pesquisadores destacam que a chikungunya pode avançar para o norte com o avanço do aquecimento. A transmissão ocorre em temperaturas mais baixas do que se pensava, ao avaliar o efeito da temperatura no tempo de incubação do vírus no mosquito.

Histórico da chikungunya A doença provoca dores articulares intensas que podem durar anos e ser fatais em crianças pequenas e idosos. O vírus foi detectado pela primeira vez em 1952, na Tanzânia, e por longos anos ficou restrito a regiões tropicais. Em 2025, foram 445 mil casos globais suspeitos e confirmados; no Brasil, 129 mil casos e 121 mortes, segundo o painel do Ministério da Saúde.

O primeiro surto europeu ocorreu em 2007, na Itália, e desde então houve episódios em cerca de dez países. Em 2025, foram centenas de casos na Itália e na França. Os surtos na Europa são provocados por viajantes infectados que retornam de regiões tropicais e são picados por mosquitos locais, que disseminam a doença internamente.

Incubação e transmissão Ao picar uma pessoa infectada, o mosquito leva o vírus ao intestino. Após o período de incubação, o vírus está na saliva e pode infectar a próxima pessoa. O estudo aponta que a temperatura limite para a transmissão é de 13 °C a 14 °C, em média dois graus abaixo do que se pensava, o que aumenta a possibilidade de surtos mais frequentes no norte.

“A taxa de aquecimento global na Europa é aproximadamente o dobro da global, e o limite inferior de temperatura para a propagação do vírus é muito importante, então nossas estimativas são surpreendentes. A expansão da doença para o norte é apenas uma questão de tempo”, afirmou Sandeep Tegar, do UKCEH, ao The Guardian.

Existem vacinas contra a chikungunya, mas ainda são caras e a distribuição está em estágio inicial. A principal forma de proteção continua sendo evitar picadas: eliminar focos de água parada, usar repelente e roupas claras de mangas compridas, principalmente durante o dia, quando o mosquito costuma se alimentar.

Conclusão O aquecimento global deve ampliar a circulação da chikungunya na Europa. A vigilância, educação sanitária e monitoramento são medidas-chave para evitar surtos maiores conforme o continente aquece.

E você, tem observado mudanças no ritmo de mosquitos ou casos de doenças transmitidas pelo Aedes em sua cidade? Compartilhe suas experiências e dúvidas nos comentários para conversarmos sobre o tema.

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