
Prado: As ocupações ocorreram na manhã da última quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, por volta das 6h, na região de Barra do Cahy, no município de Prado-BA. As propriedades pertencem à Família Dequech, onde está localizado um hotel de alto padrão.
De acordo com informações registradas em boletim de ocorrência, compareceu à Unidade de Polícia Judiciária o advogado Ricardo de Figueiredo Habib, procurador da família, representando Moema Dequech Carvalho, sócia e representante legal da empresa Barra do Cai Negócios Imobiliários Ltda.
No relato, consta que na manhã de quinta-feira, 19 de fevereiro, por volta das 6h, o imóvel onde a família exerce posse desde 1970 foi invadido por um grupo de aproximadamente 20 pessoas. Apesar da posse exercida de forma ininterrupta e da realização de diversas benfeitorias de caráter produtivo — como três chalés para locação temporária, área de convivência, cozinha compartilhada e infraestrutura de saneamento — as glebas objeto da invasão possuem registro imobiliário válido no Cartório de Registro de Imóveis de Prado-BA. Entre as propriedades atingidas estão:
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· Fazenda Estrela Dalva (matrícula nº 21.837);
· Fazenda Estrela (matrículas nº 21.831 e 21.844);
· Fazenda Estrela do Norte (matrículas nº 21.838 e 21.839);
· Fazenda Lagoa Doce (matrícula nº 21.828).
Segundo o relato, a entrada no imóvel ocorreu de forma abrupta e violenta, com transposição de cercas e portões e uso de táticas de intimidação, configurando cerceamento total da posse e propriedade. Os invasores teriam estabelecido barreiras, impedindo o acesso de proprietários, funcionários e qualquer pessoa às dependências da fazenda. O representante legal requer providências urgentes das autoridades competentes para garantir o exercício da posse e a integridade das benfeitorias e bens do local.
Em outro boletim de ocorrência registrado no mesmo dia, também foi comunicada a invasão de propriedades de Jurema Dequech de Miranda, sócia da empresa Corumbau Negócios Imobiliários Ltda. Segundo o relato, os imóveis, ocupados pela família desde 1980, foram invadidos por cerca de 20 pessoas, algumas delas armadas com armas de grosso calibre. Foram danificadas cercas e portões, e os invasores impediram o acesso ao local, onde haviam benfeitorias como casas, galpão com placas solares, baterias, equipamentos agrícolas e material de construção.
Um morador da área ocupada comentou: “Tudo isso aqui é falta de interesse político para resolver a questão. É um problema que se arrasta há quatro anos e a gente não vê nada de concreto. Constroem forças-tarefas para tapar buracos.”
As ocorrências foram registradas na Delegacia Territorial da Polícia Civil de Prado.
O cacique da etnia Pataxó afirmou que os indígenas da região do Monte Pascoal estavam no local para um novo ritual e que a ocupação se dá em território tradicionalmente reivindicado pelo grupo.
As demandas relacionadas às novas ocupações estão sob responsabilidade da Polícia Federal (PF) e da Força Nacional.
Por: Lenio Cidreira/Liberdadenews

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