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Três engenheiros que trabalharam no Vale do Silício foram formalmente acusados por um júri federal dos Estados Unidos de roubo de segredos comerciais do Google e de outras empresas de tecnologia, além de supostamente transferir informações sensíveis para o Irã. A denúncia foi anunciada na quinta-feira (19) pelo escritório do procurador dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia.
Os acusados são Samaneh Ghandali, de 41 anos, a irmã Soroor Ghandali, de 32, e Mohammadjavad Khosravi, de 40 – todos moradores de San Jose. Eles foram presos e apresentados a um tribunal federal no mesmo dia.
Segundo a acusação, os três são cidadãos iranianos. Soroor estava nos EUA com visto de estudante; Samaneh posteriormente adquiriu cidadania americana; e Khosravi, marido de Samaneh, tornou-se residente permanente legal. Os promotores afirmam ainda que Khosravi serviu anteriormente no exército iraniano.
O trio responde por conspiração para cometer roubo de segredos comerciais, roubo e tentativa de roubo dessas informações, e obstrução da Justiça.
Acesso a dados estratégicos do Google
De acordo com o processo, os engenheiros teriam utilizado seus cargos em empresas de tecnologia para obter centenas de arquivos confidenciais. Entre os documentos citados estão materiais ligados à segurança de chips e a tecnologias de criptografia.
Samaneh e Soroor trabalharam no Google antes de ingressarem em outra companhia identificada na denúncia como “Empresa 3”. Já Khosravi atuava na chamada “Empresa 2”, descrita como desenvolvedora de plataformas do tipo system-on-a-chip (SoC), tecnologia que integra componentes como CPU, GPU e memória em um único semicondutor de baixo consumo energético – arquitetura comum em smartphones modernos.
Segundo os promotores, as informações relacionadas a esses chips tinham valor econômico próprio, não eram de conhecimento público e poderiam beneficiar concorrentes caso fossem divulgadas.
O Google informou que identificou a suposta atividade irregular por meio de seus sistemas internos de segurança e encaminhou o caso às autoridades. Ao site CNBC, um porta-voz afirmou que a big tech reforçou medidas de proteção de dados, incluindo restrição de acesso a informações confidenciais, autenticação em dois fatores para contas corporativas e monitoramento de transferências de arquivos para plataformas externas.

Tentativas de ocultação
As autoridades alegam que os arquivos teriam sido enviados por meio de um aplicativo de comunicação de terceiros para contas com os nomes dos acusados. Em seguida, os dados teriam sido copiados para dispositivos pessoais, computadores de trabalho uns dos outros e transferidos para o Irã.
De acordo com o FBI, os réus teriam adotado medidas deliberadas para evitar a detecção e esconder suas identidades. Após sistemas internos do Google apontarem atividades suspeitas e revogarem o acesso de Samaneh aos sistemas da empresa em agosto de 2023, ela teria assinado uma declaração juramentada afirmando que não havia compartilhado informações confidenciais fora da companhia.
A denúncia sustenta ainda que um laptop pessoal ligado ao casal foi usado para pesquisar métodos de exclusão de comunicações e verificar o tempo de retenção de registros por operadoras telefônicas. Os promotores afirmam que o casal também fotografou centenas de telas de computador contendo informações sensíveis como forma de contornar mecanismos digitais de monitoramento.
Na véspera de uma viagem ao Irã, em dezembro de 2023, Samaneh teria registrado imagens com dados confidenciais relacionados à Empresa 2. A acusação afirma que, já no exterior, dispositivos associados aos réus acessaram essas imagens e outros materiais proprietários.
Caso sejam condenados, cada um dos acusados poderá enfrentar até 10 anos de prisão por cada acusação de violação de segredo comercial e até 20 anos por obstrução da Justiça, além de multas que podem chegar a US$ 250 mil por acusação.

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