Em briga interna, PCC proíbe delivery de drogas na maior favela de SP

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O delivery de drogas, criado para facilitar a venda a usuários em Heliópolis, zona sul de São Paulo, acabou provocando uma crise dentro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Trata-se da maior favela da cidade de São Paulo em extensão territorial, com 1,2 milhão de km², segundo a Prefeitura de São Paulo.

Mensagens apreendidas pela Polícia Civil, obtidas pela reportagem, revelam integrantes da facção reclamando que a modalidade estaria prejudicando quem “lutou” para conquistar as biqueiras, como são chamados os pontos fixos de venda.

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Delinho está foragido da Justiça e é descrito pela polícia como um dos chefes que integram o mais recente organograma do PCC elaborado pelo Dipol, o Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo.

A ligação com Delinho reforça a conexão entre lideranças superiores e a estrutura local em que Neymar atuava. Ele seguia preso preventivamente, e a defesa não foi localizada até a última atualização processual obtida pelo Metropoles. A relação entre o líder e o núcleo local reforça a ideia de organização interna dentro da facção.

Mensagem que acendeu o alerta

O comunicado interno do PCC, enviado em julho de 2024 e anexado ao processo obtido pela reportagem, circulou entre integrantes da facção, deixando clara a insatisfação com o novo modelo de venda.

“Comunicar a todos que estão vendendo drogas em pedaços e no delivery irregularmente na localidade onde já existem biqueiras. Estão chegando várias ideias na sintonia com descontentamento de seus respectivos donos. Deixamos claro a todos que esse comércio já é feito pelas lojas [biqueiras] nas quebradas na qual são cadastradas e teve sua trajetória de luta para ser conquistada.”

Os criminosos, segundo a mensagem de texto, tratam o tráfico como se fosse um mercado formal, com territórios definidos e uma lógica de “direitos adquiridos” por quem domina determinadas áreas.

Quando o delivery virou problema

Nos relatórios, a Polícia Civil descreve que Neymar comandava um canal específico de venda e entrega de entorpecentes, operado junto com a esposa, a qual consta no processo como investigada pela polícia. As mensagens analisadas mostram que o casal tratava diretamente de valores, entrega e organização do esquema.

Para os investigadores, o sistema ampliava o alcance das vendas e permitia que consumidores deixassem de ir às biqueiras, afetando o comércio presencial e provocando desconforto entre traficantes locais, o que gerou o compartilhamento da mensagem no WhatsApp.

A esposa de Neymar aparece como peça central da operação, com papel ativo na logística e familiaridade com termos ligados ao tráfico, reforçando sua participação direta no esquema. Ele teria criado a proposta visual do “cartão” de drogas, enviado aos clientes por mensagem, no qual havia a presença da personagem de desenho animado Pantera Rosa.

Não há menções no processo se a mulher de Neymar foi presa.

Liderança e operação paralela

A investigação da Polícia Civil ainda aponta que Neymar ocupava função importante dentro do PCC, com participação na chamada “Sintonia Final do Resumo”, núcleo ligado à tomada de decisões e ao direcionamento estratégico da facção.

Com prestígio entre integrantes e tratado como liderança, ele teria usado essa posição para estruturar o delivery. Ao ganhar escala, porém, a prática passou a incomodar setores internos da organização criminosa.

O comunicado contra o delivery chegou a membros da facção identificados em conversas apreendidas de aparelhos de Neymar, inclusive de um celular classificado como “telefone sujo”, usado para tratar de conteúdos ilícitos.

Segundo o relatório, o recado reforçava que a venda deveria permanecer nas “lojas” cadastradas, respeitando a hierarquia e a trajetória de quem já controlava os pontos em Heliópolis e outras regiões. Para os investigadores, o caso revela o grau de organização interna da facção. O delivery, pensado como avanço para ampliar vendas e reduzir exposição em pontos fixos, acabou esbarrando em ânimos econômicos antigos.

Conte para a gente o que você pensa sobre esse movimento de delivery no crime organizado e como ele pode impactar a segurança na sua região. Compartilhe sua opinião nos comentários.

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