Prisões de cristãos quase dobraram no Irã, segundo relatório

Publicado:

compartilhe esse conteúdo


Um novo relatório divulgado hoje por organizações como Open Doors, Article18, Christian Solidarity Worldwide e Middle East Concern mostra que as autoridades iranianas prenderam 254 cristãos em 2025 sob acusações relacionadas à fé ou às atividades religiosas, quase o dobro dos 139 detidos em 2024.

Cerca de 90% das acusações foram embasadas no Artigo 500 do código penal, que criminaliza a “propaganda contrária à sagrada fé do Islã”, aponta o documento. O relatório destaca que esse enquadramento legal tem sido a base para a maior parte das ações contra cristãos no país.

O número de cristãos que cumpriram penas de prisão, exílio ou trabalho forçado em 2025 foi 57, mais que o dobro do ano anterior (25). Ao final de 2025, 43 ainda cumpriam pena, e pelo menos 16 permaneciam em prisão preventiva.

Apesar de haver menos condenações em 2025 (96) do que em 2024 (73), o total de penas impostas somou 280 anos, frente a 263 em 2024, apontando uma tendência de punições mais severas.

Pelo menos 11 cristãos receberam sentenças de 10 anos ou mais em 2025; as autoridades aplicaram ainda 9 anos de exílio e 249 anos de privação de direitos como saúde, emprego e educação.

Após o conflito de 12 dias entre Irã e Israel, entre 13 e 25 de junho, cinco cristãos foram acusados com base em uma nova lei de espionagem, resultando em penas que, juntas, ultrapassam 40 anos de prisão.

O relatório aponta um “aumento acentuado” nas prisões de cristãos após a guerra, conforme comunicado do Ministério da Inteligência, que mencionou 53 “elementos treinados” — cristãos evangélicos — que teriam sido “neutralizados” em 2025.

Em pelo menos dois casos, o Estado confiscou bens pessoais de cristãos, incluindo Bíblias, para fins de “pesquisa” do Ministério da Inteligência e Segurança. Em outra situação, um oficial do exército teve o emprego encerrado após 23 anos de serviço por conversão ao cristianismo, e cinco convertidos foram encaminhados a “clínicas de tratamento de seitas” para serem reconduzidos à fé islâmica.

A violência contra prisioneiros cristãos continuou em 2025, com relatos de negação de assistência médica, tortura psicológica e espancamentos. Um caso chocante foi a condenação de uma cristã grávida a 16 anos de prisão no Dia Internacional da Mulher; outro cristão iraniano-armênio recebeu uma segunda sentença de 10 anos e não pôde comparecer ao funeral da mãe, falecida dois meses após a nova detenção. Houve também relatos de um derrame em confinamento solitário, fratura na coluna após queda de beliche e infecção após retorno prematuro à prisão.

As autoridades seguiram visando quem distribui a Bíblia no Irã, com pelo menos 21 cristãos recebendo penas de prisão relacionadas a essa atividade, além de multas, exílio e privação social.

Entre as recomendações do relatório estão a reabertura da Sociedade Bíblica — cuja paralisação desde 1990 permanece por mais de 35 anos — e a responsabilização internacional do Irã por violações religiosas, com base no Artigo 18 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP), que garante a liberdade de fé pública ou privada.

O documento, intitulado “Bodes expiatórios: violações dos direitos dos cristãos no Irã”, também registra protestos no fim de 2025 e relata uma repressão devastadora, com milhares de mortos e efeitos que atingem todas as pessoas, independentemente de religião. O Irã ficou na 10ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, destacando o ambiente desafiador para quem pratica o cristianismo no país.

Como leitores, vale refletir sobre esses relatos e o estado dos direitos humanos no Irã. Compartilhe nos comentários como você encara a situação dos cristãos e as questões de liberdade religiosa no Oriente Médio.

Comentários do Facebook

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Fundador do YouVersion alerta que IA ainda comete erros ao citar a Bíblia

Resumo rápido: o fundador do YouVersion Bible App, Bobby Gruenewald, afirma que a IA ainda comete erros relevantes quando o assunto é a...

Advogados cristãos analisam a decisão da Argentina de reduzir a idade penal para 14 anos

A Argentina aprovou uma reforma da justiça juvenil que reduz a idade de responsabilidade penal de 16 para 14 anos para determinados delitos,...

Igrejas alemãs registram queda de 1,13 milhão de fiéis em 2025

Em 2025, as duas maiores tradições religiosas da Alemanha, a Igreja Católica e a Igreja Evangélica, registraram uma queda expressiva no número de...