CGU vê irregularidade em emenda do presidente da CPI do INSS para a Igreja da Lagoinha

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Resumo: a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou irregularidades na destinação de uma emenda parlamentar do senador Carlos Viana (PSD-MG) à Fundação Oasis, vinculada à Igreja Lagoinha. O montante total era de R$ 1,5 milhão, sendo R$ 700 mil destinados à Fundação Oasis e R$ 800 mil para uma obra de engenharia. A indicação ocorreu sem processo de concorrência pública, e os recursos não chegaram a ser liberados, em razão de irregularidades fiscais da entidade na época. Em 2022, a CGU já havia apontado entraves semelhantes em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, com a verba retida e sem objetivo definido.

Segundo o relatório, a Fundação Oasis apresentava pendências fiscais entre junho de 2020 e abril de 2021, o que atrasou o andamento da parceria para a transferência voluntária. Além disso, a CGU mostrou que os R$ 700 mil foram destinados à fundação sem uma definição prévia do objetivo a ser beneficiado. Apesar das irregularidades, o dinheiro permaneceu em uma conta de investimento durante o período de regularização. Da soma de R$ 1,5 milhão, a maior parte (R$ 700 mil) ficou sob a responsabilidade da Oasis, enquanto os R$ 800 mil restantes deveriam financiar uma obra de engenharia, mas não houve desembolso.

A controladoria também ressaltou a falta de justificativa clara para a escolha da entidade beneficiária. Não houve chamamento público e o cadastro da Oasis no Sistema Único de Assistência Social (SUAS) classificava a fundação como instituição de acolhimento para crianças, adolescentes, idosos e mulheres em situação de violência. Questionada sobre o critério usado, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que foi o próprio senador quem determinou a destinação, o que a CGU considerou irregular por não ter seguido a exigência de seleção pública para organizações sociais.

A atuação do senador gerou controvérsia. A equipe de Carlos Viana afirmou que os ofícios de indicação de emendas são apenas indicativos e não substituem as exigências legais para a liberação dos recursos. A Prefeitura confirmou a tentativa de direcionar os recursos à Lagoinha, mas afirmou que isso não foi possível. A Oasis, por sua vez, informou que atua em assistência social e educação, conforme a Lei Orgânica da Assistência Social, e afirmou não ter sido notificada sobre o conteúdo da avaliação da CGU.

Além desse caso, o senador Carlos Viana voltou a estar em foco em relação a outras emendas. O STF passou a investigar o envio de mais R$ 3,6 milhões em emendas para a Lagoinha, no contexto das investigações do Banco Master. O Banco Master envolve o dono do banco, Daniel Vorcaro, e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e pastor afastado da Lagoinha. A Polícia Federal investiga se Zettel atuou como operador financeiro de Vorcaro, realizando pagamentos em seu nome, aumentando a complexidade do quadro envolvendo a igreja e figuras públicas ligadas ao tema.

A reportagem de origem, Folha de S.Paulo, aponta que tais investigações destacam um padrão de direcionamento de recursos ligados a emendas parlamentares e a instituições associadas a grupos religiosos. O conjunto de fatos ressalta a necessidade de maior transparência e de mecanismos de concorrência pública para a aplicação de verbas públicas, a fim de evitar favorecimentos e assegurar que os recursos atendam a necessidades reais da população, com critérios claros e auditáveis.

Diante do que foi apurado, a cidade—e a sociedade como um todo—ficam em expectativa sobre os próximos desdobramentos legais e administrativos. A CGU permanece como órgão de controle, enquanto as partes envolvidas devem responder aos questionamentos oficiais e à necessária regularização das ações que envolvem emendas propostas por parlamentares. Aguardamos os desfechos oficiais e as avaliações futuras sobre a aplicação dessas verbas públicas.

E você, leitor, como avalia o uso de emendas envolvendo entidades religiosas e a necessidade de processos público de seleção? Compartilhe sua opinião nos comentários e comente como a transparência de gastos públicos pode impactar a confiança da comunidade na gestão das verbas destinadas à melhoria da cidade.

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