A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na madrugada de sexta-feira (20), a reforma trabalhista promovida pelo governo de Javier Milei após quase 11 horas de debate e uma greve geral convocada pela CGT. O projeto retorna ao Senado para a aprovação final, antes de seguir para a sanção presidencial.
A reforma já havia sido aprovada pelo Senado na semana anterior, mas recebeu alterações na Câmara, o que exige nova passagem pela Casa Alta. O governo planeja a sanção definitiva ainda em março.
Milei celebrou a votação em redes sociais, afirmando que a reforma busca pôr fim a mais de 70 anos de atrasos nas relações de trabalho. A CGT, contudo, classifica a proposta como regressiva e inconstitucional.
Entre as mudanças, o texto reduz indenizações, amplia a jornada de trabalho para 12 horas e limita o direito de greve, além de outros pontos contestados pela central sindical.
A votação ocorreu após a greve de quinta-feira, com adesão descrita pela CGT como 90% da atividade paralisada. Algumas linhas de ônibus operaram parcialmente e muitos estabelecimentos abriram com pouca clientela.
O dia também teve impactos logísticos: 255 voos da Aerolíneas Argentinas foram remarcados, afetando cerca de 31 mil passageiros, e trabalhadores portuários paralisaram embarques em terminais como o de Rosario.
Esta é a quarta greve geral em dois anos de mandato de Milei, que está nos Estados Unidos para a instalação do Conselho de Paz do aliado Donald Trump. No centro de Buenos Aires, bancos e instituições financeiras permaneceram fechados.
O país vive um ambiente de queda da atividade industrial, com mais de 21 mil empresas fechadas e a perda de cerca de 300 mil postos de trabalho nos últimos dois anos, segundo fontes sindicais. A Fate, principal fábrica de pneus, anunciou o fechamento de sua unidade em Buenos Aires, com mais de 900 demissões, atribuindo a decisão à queda de competitividade provocada pelas importações.
O governo afirma que a reforma ajudará a reduzir a informalidade, que afeta mais de 40% do mercado de trabalho, e a criar empregos por meio de desonerações tributárias para os empregadores.
Com Milei buscando avançar sua agenda no Congresso, o calendário legislativo permanece sob pressão, destacando o equilíbrio de forças entre o governo e a oposição.
Qual é a sua leitura sobre a reforma trabalhista e seus impactos na economia e no mercado de trabalho argentino? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da discussão.

Facebook Comments