O hepatologista Raymundo Paraná criticou médicos sem qualificação profissional por prescreverem canetas emagrecedoras sem indicação clínica e sem informar de forma clara os riscos envolvidos no uso da substância. O alerta foi feito durante a participação do especialista no podcast Saúde 360°, que vai ao ar quinzenalmente, às terças-feiras, no canal do YouTube do Bahia Notícias.
Segundo Paraná, as canetas emagrecedoras são drogas “revolucionárias”, que têm efeitos positivos para o controle da Diabetes e para a perda de peso, além de reduzir riscos cardiovasculares e hepáticos. O problema seria o uso sem necessidade real, que pode trazer mais ônus do que bônus ao paciente. “O que se vê hoje é a banalização disso, é o uso indiscriminado por qualquer pessoa. Em Medicina, tudo é risco e benefício. Não há medicamento ou suplemento que não tenha efeito adverso. O que precisa é o médico ter senso crítico”, defendeu para as apresentadoras Christina Miranda e Stephanie Suerdieck.
O hepatologista ainda alertou que há médicos “enganadores” e sem RQE – registro de especialidade médica que indica se o profissional fez residência -, que têm indicado as canetas sem a real compreensão de seus efeitos adversos. Com isso, os pacientes não recebem as orientações necessárias, aumentando a chance de complicações e reações: “Quanto mais você usa sem ter a avaliação do benefício, os efeitos adversos, por menores que eles sejam, vão se tornar grandes”.
O hepatologista explicou, tecnicamente, que pacientes sob uso de canetas emagrecedoras que ficam longos períodos sem comer estão mais propensos a desenvolverem uma pancreatite – inflamação do pâncreas, órgão essencial na digestão e regulação da glicemia, podendo ser aguda (súbita e curta) ou crônica (persistente). A condição gera sintomas como vômitos e dores abdominais fortes, e o tratamento pode exigir cirurgia em casos mais graves.
De acordo com o médico, a falta de alimento por períodos muito longos pode levar à formação de pedras na vesícula, que são uma das causas da pancreatite. “A maioria dos prescritores dessas drogas para pacientes sem indicação de uso nem sequer sabem isso, porque não falam nada para o paciente sobre isso”.

VITAMINA C
Ainda durante o podcast, Raymundo Paraná falou sobre outro mito cada vez mais comum: a de que suplementos de Vitamina C podem reforçar a imunidade. “Suplementar Vitamina C é de uma futilidade absurda. E suplementar altas doses de Vitamina C é ignorância, falta de estudo. Não faz sentido algum, muito menos para prevenir doenças”, alertou.
O especialista citou um paciente que apresentou um estudo que comprovaria a utilidade da suplementação para a imunidade. Porém, o estudo seria “monocêntrico, retrospectivo e sem grupo controle”: “Isso é lixo do ponto de vista de evidência científica”.
Agora fica o registro de que as informações apresentadas reforçam a necessidade de orientação médica qualificada e de informações claras sobre riscos, especialmente quando se trata de terapias para emagrecimento e suplementação.
Agora queremos saber a sua opinião: o que você pensa sobre o uso de canetas emagrecedoras, o papel de profissionais qualificados e os mitos sobre a Vitamina C? Deixe seu comentário abaixo para continuarmos essa conversa com base em evidência e responsabilidade.

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