Dubai sob tensão: ataques com mísseis e drones afetam Emirados Árabes e a aviação global
Parte dos leitores do Olhar Digital já me conhece, porque apresento o Olhar Digital News – a nossa live diária. Também produzo matérias daqui de Dubai, onde moro.
Como Dubai aparece com frequência na programação do Olhar Digital, decidi contar, nesta vez, um relato pessoal não sobre ciência ou tecnologia, mas sobre como foi um sábado de escalada de tensão no Oriente Médio.
A gente acorda, no fuso de Dubai, com notícias sobre Estados Unidos e Irã. No horário de Brasília era madrugada; aqui em Dubai já era manhã.
Por volta de uma da tarde (hora local), a tensão chegou de fato aos Emirados Árabes. Começaram os primeiros estrondos, janelas tremiam. Não é comum ouvir um míssil. A ficha só caiu pelo contexto das notícias que vinham sendo reportadas ao longo do dia.
Esses estrondos se repetiram em ondas ao longo da tarde e seguiram acontecendo até a madrugada. Ainda era possível ouvir novos barulhos, ligados a interceptações.
Segundo o balanço mais recente divulgado pelas autoridades locais, foram 137 mísseis e 209 drones interceptados.
Pouco depois dos primeiros estrondos, o governo confirmou oficialmente que se tratava da interceptação de mísseis e informou a morte de uma pessoa em Abu Dhabi, causada pelos destroços de mísseis abatidos.
No vídeo a seguir, dá para ouvir estrondos e ver o que parece ser um míssil no céu.
Mais tarde, houve a confirmação de outra morte, desta vez no aeroporto de Abu Dhabi, após ataque iraniano. As autoridades também comunicaram que pessoas ficaram feridas no aeroporto de Dubai e em um hotel na região de Palm Jumeirah.
Antes, voltando ao começo da tarde, o governo anunciou o fechamento do espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos. E, quando se fala em fechar o espaço aéreo de Dubai e Abu Dhabi, estamos falando de dois dos maiores hubs de aviação do mundo. As consequências não ficam restritas ao Oriente Médio: há um efeito em cascata no mundo todo, pois muitos voos não apenas chegam aos Emirados, como passam por aqui em conexões para países da Ásia e até para a Austrália.
Eu moro na região de Dubai Marina, um bairro movimentado e turístico, com muitos prédios residenciais e comerciais — além de uma área financeira importante. Aqui, ouvimos dezenas de estrondos ao longo do dia, com sensação de vibração e janelas mexendo. A apreensão era visual nos relatos de vizinhos.

Depois das interceptações, a gente viu fumaça no céu, como mostra a imagem acima.
Apesar disso, do ponto de vista do funcionamento da cidade, não houve grandes restrições. Não houve toque de recolher. Serviços continuaram operando normalmente. Hoje, da minha janela, vejo um mercado e uma farmácia 24h.
Essa é a ambiguidade do dia: um clima de tensão muito forte, mas com sinais de normalidade na rotina.
Instituições de ensino privadas anunciaram que o ensino à distância será mantido até quarta-feira, 4 de março, como medida de precaução.
O governo também enviou alertas. Primeiro, um SMS informando que a situação estava sob controle, mas orientando a população a buscar locais seguros. Em seguida, chegou um alerta mais incisivo, semelhante aos de Defesa Civil, pedindo que as pessoas procurassem refúgio em prédios seguros e longe de janelas.
Ao longo do dia, as autoridades mantiveram reuniões com países vizinhos. A linha oficial foi buscar diálogo e saídas diplomáticas, condenando os ataques, mas afirmando o direito de responder para defender a soberania nacional.
Aqui entra um contexto importante: os Emirados Árabes Unidos costumam ser vistos como uma espécie de bolha no Oriente Médio. Em Dubai, estima-se que cerca de 80% da população seja estrangeira. É um país que depende muito dessa estabilidade — tanto por segurança quanto por economia — e, por isso, em momentos de escalada regional, o comportamento do governo costuma privilegiar a diplomacia.
Eu também faço parte de grupos de brasileiros aqui e, ao longo do dia, as pessoas foram trocando informações, comunicados e orientações oficiais. O clima foi, sem dúvida, de muita apreensão.
Agradeço pela atenção. Espero que, na próxima vez que eu apresentar o Olhar Digital News direto de Dubai, a situação já esteja mais estável. De qualquer forma, voltaremos com informações a qualquer momento.
E você, o que acha sobre o papel da diplomacia em situações de escalada regional e como isso pode impactar a segurança global? Compartilhe sua opinião nos comentários e, se puder, conte como a situação tem afetado sua rotina ou trabalho.

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