Interdição da praia de São Tomé de Paripe por presença de nitrato e cobre levanta alerta para riscos à saúde; entenda

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Nitrato e cobre foram identificados em líquidos azuis e amarelos recolhidos na faixa de areia da praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, o que levou à interdição de um trecho e ao alerta sobre riscos à saúde humana e à fauna marinha. As análises iniciais apontam concentrações elevadas de nitrato e a presença de cobre no material coletado.

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) determinou a instalação de placas de advertência e a restrição de acesso, com base no princípio da precaução. O objetivo é evitar o contato de banhistas, pescadores e moradores com substâncias cuja origem ainda está sendo investigada. O material foi encontrado atrás de uma empresa que atua com estocagem e movimentação de grãos sólidos.

O nitrato, componente do ciclo natural do nitrogênio, pode causar náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, tontura e alterações na pressão arterial quando em altas concentrações. Em casos graves, pode se converter em nitrito e levar à metemoglobinemia, conhecida como a “síndrome do bebê azul”, especialmente em bebês. Já o cobre é essencial em pequenas quantidades, mas pode tornar-se tóxico em níveis elevados, irritando pele e olhos e aumentando o risco de infecções em feridas abertas.

Especialistas também apontam que a exposição prolongada pode favorecer a formação de compostos N-nitrosos, associados a maior risco de câncer gastrointestinal e possíveis impactos na função tireoidiana.

Quanto à origem, a presença simultânea de nitrato e cobre sugere possíveis contaminações de efluentes industriais, fertilizantes ou esgoto. A Intermarítima afirmou que não movimenta químicos perigosos como enxofre, amônia ou cobre e que todos os materiais operados possuem licenças ambientais. A empresa disse ainda ter contratado uma consultoria independente para análises adicionais.

O biólogo José Amorim, da UFBA, explica que a contaminação pode afetar pessoas pelo contato com a água e pelo consumo de organismos marinhos expostos às substâncias. O risco indireto, via ingestão de peixes e crustáceos, pode ser mais significativo, com inflamação e intoxicação aguda dependendo da condição física de cada indivíduo. A prioridade é identificar e interromper a fonte da contaminação; se não for contida, o dano pode tornar-se crônico e levar à mortandade de organismos marinhos. O movimento das marés pode, com o tempo, ajudar na recuperação do ambiente, desde que a fonte seja eliminada.

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