Como “hospital fantasma” derrubou prefeito e foi parar no STF

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Meta descrição: Investigações da Polícia Federal sobre a construção do Hospital Geral Municipal de Macapá revelam suspeitas de licitação simulada, organização criminosa e desvio de recursos federais, levando ao afastamento de autoridades na prefeitura pela Operação Paroxismo.

Uma promessa de hospital para ampliar a rede pública de saúde de Macapá, com orçamento de aproximadamente R$ 69,35 milhões em emendas federais, ficou no centro de uma apuração que resultou na Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal a partir de decisões do STF.

Na manhã de 4 de março de 2026, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na capital amapaense. O ministro Flávio Dino, do STF, afastou cautelarmente o prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan e o vice-prefeito Mario Rocha de Matos Neto por 60 dias, além de outras medidas contra servidores ligados à licitação investigada.

No dia seguinte, Furlan apresentou carta de renúncia à Câmara Municipal. No documento, ele não citou a investigação, alegando que deixava o cargo para disputar o governo do Amapá nas eleições de 2026. O episódio marca um capítulo decisivo na trajetória política do gestor.

O projeto previa a construção do Hospital Geral Municipal para ampliar a rede de atendimento de saúde de Macapá, cidade com cerca de 530 mil habitantes. O empreendimento seria financiado por contrato de repasse entre o município, o Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal, com recursos federais oriundos de emendas parlamentares.

Os recursos, de R$ 69.354.218,41, vieram de emendas federais destinadas à área da saúde. Entre 2020 e 2024, Macapá recebeu mais de R$ 128,9 milhões em transferências especiais da União. A Controladoria-Geral da União apontou irregularidades em procedimentos licitatórios ligados a quatro emendas, baseando a investigação que chegou ao STF.

Em 2023, a Secretaria Municipal de Saúde abriu uma concorrência pública para contratar a empresa responsável pela elaboração do projeto executivo e pela execução da obra. A vencedora foi a Santa Rita Engenharia Ltda., controlada por Rodrigo de Queiroz Moreira e Fabrizio de Almeida Gonçalves. A proposta inicial superava 75 milhões, mas caiu para 69,3 milhões após negociação direta com a comissão de licitação.

O contrato foi formalizado em maio de 2024 pela então secretária municipal de Saúde, Érica Aranha de Sousa Aymoré. A decisão do ministro Dino apontou indícios de que o processo licitatório foi um “simulacro de competição”, reforçando a suspeita de favorecimento à empresa vencedora.

A Polícia Federal aponta indícios de atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e empresários. Segundo a representação enviada ao STF, o grupo teria manipulado a licitação para garantir a vitória da empresa contratada e, posteriormente, desviar recursos públicos. Há indícios de pagamento de propina, saques em dinheiro e movimentações bancárias atípicas, além de mecanismos de dissimulação patrimonial.

A PF aponta dois pilares do esquema: o direcionamento do processo licitatório e o desvio de valores pagos à empresa contratada, com o objetivo de favorecer a organização criminosa e a receptora dos recursos públicos.

Além do prefeito, do vice e da secretária de Saúde, também foram afastados: Érica Aranha de Sousa Aymoré, e Walmiglisson Ribeiro da Silva, presidente da comissão de licitação. A decisão tem o objetivo de evitar obstrução das investigações e assegurar a continuidade dos trabalhos judiciais.

Trajetória política de Furlan: médico de 52 anos, natural da Costa Rica, iniciou na política em 2010 como deputado estadual. Assumiu como suplente em 2013 e venceu a eleição para prefeito de Macapá em 2020. Em 2024, foi reeleito com 204.291 votos, equivalente a 85,08% dos votos válidos, o maior percentual entre prefeitos eleitos de capitais naquele pleito. A investigação envolvendo o hospital encerrou, de forma abrupta, o seu segundo mandato.

Conclui-se que a apuração aponta um caminho de irregularidades associadas a emendas federais e à licitação para o hospital, com desfecho institucional relevante para a gestão municipal. O episódio destaca a necessidade de maior transparência e controle na aplicação de recursos públicos na área da saúde.

E você, o que pensa sobre o uso de emendas para projetos de saúde e os mecanismos de fiscalização que podem evitar desvios de recursos? Deixe seu comentário e compartilhe sua opinião sobre a importância de acompanhar esse tipo de operação para fortalecer a gestão pública.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

PM dá tapa no rosto de motoboy que andava com capacete levantado

Uma gravação de segurança mostra policiais da Polícia Militar do Distrito Federal agredindo dois motoboys e familiares durante uma abordagem em Arapoanga, no...

Polícia prende trio por abate clandestino e suborno a PMs em Ipiaú; armas e carro são apreendidos

Três homens foram presos em flagrante nesta quinta-feira na BA-650, entre Ipiaú e Ibirataia, no Médio Rio de Contas, após serem surpreendidos com...

VÍDEO: Queda de avião é registrada por câmeras de condomínio e deixa duas mortes no Mato Grosso do Sul

Um avião de pequeno porte caiu na manhã desta sexta-feira (3) nas proximidades do Aeroporto Santa Maria, na saída para Três Lagoas, em...