Guerra na Ucrânia: centenas de locais de culto destruídos por forças russas; igrejas batistas e ortodoxas entre as mais afetadas

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Um relatório da organização Mission Eurasia aponta que pelo menos 737 locais de culto foram danificados ou destruídos pelas forças russas desde o início do conflito em 2022. A maioria das estruturas atingidas são igrejas, mas sinagogas e mesquitas também aparecem entre as vítimas. Dentre os edifícios afetados, cerca de 450 eram igrejas batistas, uma parcela relevante, já que os batistas representam de 1% a 2% da população da Ucrânia, sugerindo um possível direcionamento contra esse segmento religioso.

Um caso emblemático envolve o pastor batista Sergey Ivanov, que servia uma congregação no sul ocupado. Segundo redes de igrejas e observadores de direitos humanos, as forças russas o detiveram sob a acusação de cooperação com autoridades ucranianas e de não registrar a igreja sob regras russas. Membros da congregação relataram a interrupção de cultos e o fechamento do templo durante o interrogatório.

Esse episódio ilustra uma tendência mais ampla de pressão sobre comunidades batistas e evangélicas, que muitas vezes resistem à supervisão imposta pelas autoridades de ocupação. Em alguns casos, a destruição é parte do dano colateral da guerra; em outros, pode refletir uma estratégia deliberada de enfraquecer instituições religiosas independentes.

As agressões não se restringem aos batistas. Igrejas da Igreja Ortodoxa também estão sob pressão, com a Igreja Ortodoxa Russa buscando impor sua autoridade sobre a Igreja Ortodoxa Ucraniana, levando várias congregações a migrar para estruturas independentes. Autoridades russas têm se apropriado de imóveis ligados à Igreja Ortodoxa Ucraniana, conectada historicamente ao patriarcado de Moscou, em áreas ocupadas.

Defensores da liberdade religiosa apontam que a violência visa eradiar a esfera civil independente, substituindo-a por instituições fiéis a Moscou. Em Crimea, o padre Serhii Mykhalchuk, da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, relatou assédio contínuo e pressões legais após a anexação, com ordens de despejo de sua catedral e apreensão de bens. Em outros relatos, sacerdotes ortodoxos foram despojados de vestes ou confrontados por tropas russas, situações que ilustram a hostilidade enfrentada por líderes religiosos em áreas sob controle russo.

Especialistas observam que esse conjunto de ações traduz uma estratégia mais ampla de dominação cultural e político-religiosa, visando desmantelar sociedades civis independentes e impor estruturas leais a Moscou. Em áreas ocupadas, a vida religiosa é moldada pela presença e pela propaganda de autoridades de Moscou, dificultando a prática religiosa livre e a autonomia de comunidades locais.

E você, o que pensa sobre esse panorama? Deixe seu comentário com perguntas, críticas ou reflexões sobre a situação da liberdade religiosa na Ucrânia e as consequências para as comunidades afetadas.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Pastor é condenado por pregar João 3:16 perto de clínica de aborto na Irlanda

Pastor Clive Johnston, 78 anos, foi condenado por violar zonas de acesso seguro a serviços de aborto ao realizar um sermão ao ar...

Jornalista Peninha indiciado por crime de discriminação religiosa contra evangélicos

O jornalista e escritor Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, foi indiciado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul por discriminação religiosa contra...

Silas Malafaia rebate Helena Raquel sobre acusações de abuso em igrejas evangélicas

O pastor Silas Malafaia rebateu acusações associadas às declarações da pastora Helena Raquel, feitas no Gideões Missionários da Última Hora, sobre silenciar vítimas...