“Não à guerra” e algo mais (por Najat El Hachmi)

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Nenhuma guerra resolve tudo. Ela apenas reorganiza o cenário geopolítico, redefine relações de poder e traça novas fronteiras, deixando cicatrizes duradouras. Após as atrocidades do século XX, parecia haver um consenso de que existem caminhos não violentos para resolver conflitos.

No entanto, esse consenso é desmentido pela violência que persiste em várias regiões sob a etiqueta de paz. Quando a invasão à Ucrânia ocorreu, ouviu-se que era a primeira guerra em solo europeu desde a Segunda Guerra, como se a Bósnia pertencesse a outro continente.

Conflitos em outros lugares também desconstroem a ideia de uma paz universal: o slogan “não à guerra” é usado de forma seletiva, e a cobertura midiática costuma acompanhar interesses variáveis, não a gravidade real dos conflitos. Muitos pacifistas não o são em todos os aspectos, sugerindo uma visão ambígua da paz.

Não basta dizer sim à paz; critica-se também a prática de relações com regimes que violam direitos humanos. O Ocidente impõe sanções por armas nucleares, mas falha em punir governos misóginos. Espanha, por exemplo, mantém relações com Marrocos — onde o adultério continua crime, onde as filhas herdam metade do que os filhos e o casamento infantil ainda existe — e com a Arábia Saudita (onde dançar em vídeo pode levar à prisão). Em síntese, os chamados defensores da paz falam de paz sem promover a liberdade das mulheres, conforme o texto aponta.

Concluo que a paz é frágil e que a violência não se resume às guerras abertas. Como você vê caminhos para promover direitos humanos e dignidade em cenários de conflito? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa.

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