Hugo Motta quer votar até abril projeto sobre trabalho por aplicativo, mas remuneração mínima é ponto de discórdia

Publicado:

compartilhe esse conteúdo


Em reunião nesta terça-feira (10), com os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Luiz Marinho (Trabalho) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende votar até o mês de abril o projeto que regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores por aplicativo. O texto final ainda precisa passar por mais debates e negociações.

A reunião, realizada na residência oficial da Câmara, contou também com a participação do relator do PLP 152/25, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). O encontro visou ouvir a posição do governo federal e de representantes do setor.

“A data da votação depende da negociação que precisa ser feita, existem pontos consensuados e pontos que precisam ser conversados. Vamos tentar votar o texto o quanto antes. Eu trabalho com o mês de março até o início de abril para votar no Plenário. Queremos que o texto fique redondo e que a Câmara possa avançar com garantias para o trabalhador, como previdência, seguro acidente, seguro de vida, para o Brasil ter um modelo de legislação que proteja os trabalhadores e garanta o serviço da plataforma”, afirmou Motta.

O presidente da Câmara convocou a reunião com os ministros para conhecer a posição do governo federal sobre o tema. Motta disse que pretende, junto com o relator do projeto, ouvir todos os envolvidos, incluindo parlamentares, motoristas, entregadores e empresas do setor.

Da parte do governo, algumas propostas são consideradas prioritárias para serem incluídas no texto, como a fixação de uma remuneração mínima de R$ 10 por entrega ou corrida, com R$ 2,10 por quilômetro adicional. O governo também defende o fim das entregas agrupadas, a transparência dos algoritmos que definem valores pagos aos trabalhadores, a criação de pontos de apoio pagos pelas empresas, além da garantia de acesso à Previdência Social, com contribuição majoritariamente patronal.

Na entrevista após o encontro, o relator Augusto Coutinho falou sobre a questão da fixação de uma taxa mínima de entrega. “Houve entendimentos: o valor mínimo para motoristas estava no projeto, mas isso inviabilizaria, pois 25% das corridas ficam menos de R$ 8, e a nossa leitura é retirar esse ponto. Não haverá valor mínimo para motoristas”, explicou.

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, disse discordar da posição do relator do projeto e garantiu que, se não houver acordo sobre a taxa mínima de entrega, o governo vai apresentar uma emenda ao texto durante a votação.

“É preciso ter uma regulamentação o quanto antes porque, do jeito que está, só interessa às grandes plataformas e não aos trabalhadores. Hoje, você pega o motorista de Uber; a plataforma fica com 50% de taxa de retenção. Isso não é razoável”, disse Boulos.

Este tema envolve moradores, plataformas e o equilíbrio entre remuneração justa e inovação. Como você vê esse debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativo? Compartilhe sua opinião nos comentários abaixo.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Homens são presos por suspeita de tráfico na Ladeira da Preguiça

Dois homens foram presos por suspeita de tráfico de drogas na Ladeira da Preguiça, região do Comércio, em Salvador. A ação da Polícia...

OMS declara surto de ebola na África: “Emergência global”

OMS declarou, na noite de sábado, 16 de maio, uma emergência de saúde pública de importância internacional (PHEIC) por um novo surto de...

Garotinho envia a ministério denúncia contra pré-candidato ao Senado

Resumo: Garotinho apresentou ao Ministério da Justiça uma denúncia contra o ex-prefeito de Belford Roxo, Marcio Canella, acusando-o de vínculos com o tráfico...