Uma pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana mostra que o apoio ao fim da escala de trabalho 6×1 atingiu 71% dos brasileiros, marcando um novo patamar de aceitação da medida. O levantamento aponta crescimento de 7 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, feito no fim de 2024, quando 64% se declararam favoráveis. A sondagem também registra 27% de brasileiros que entendem que não deveria haver redução da jornada e 3% que não opinaram. As perguntas foram feitas entre 3 e 5 de março, com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios, e a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%.
O debate sobre o tema está no Congresso Nacional e começou a avançar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara nos últimos dias. Em 10 de março, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o Brasil tem condições de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e adotar a escala 5×2, sem corte de salários e com dois dias de descanso remunerado. Esses sinais indicam que a pauta pode ganhar fôlego institucional nos próximos meses, ampliando o debate público sobre vantagens e impactos.
Perfil dos entrevistados revela uma divisão entre quem trabalha até cinco dias na semana (53%) e quem faz seis ou sete dias (47%). A opinião sobre a redução da jornada é mais favorável entre quem trabalha menos dias (76%) e menos entre quem trabalha mais (68%), apontando uma correlação entre carga de trabalho e apoio à mudança. Entre os que atuam menos dias, o desejo de ampliar o descanso aparece com mais força, enquanto quem trabalha mais tende a valorizar a renda obtida com a jornada atual.
No aspecto impactos na economia, a sondagem revela uma divisão: 39% dizem que haverá efeitos positivos, enquanto 39% acham que serão negativos; em 2024, esse último grupo era de 42%. Já na avaliação sobre qualidade de vida, 76% acreditam que a redução da jornada vai melhorar a vida cotidiana, enquanto a percepção sobre o efeito para a economia brasileira como um todo fica parelha: 50% consideram que o efeito será excelente ou bom, e 24% veem impacto ruim ou péssimo.
Na dimensão política, a pauta tem maior aceitação entre eleitores que votaram em Lula (PT) em 2022 do que entre eleitores de Jair Bolsonaro (PL). Entre os apoiadores de Bolsonaro, 55% são a favor do fim da escala 6×1, 43% são contrários e 2% não sabem. Entre os eleitores de Lula, o apoio é 82%, com 16% contrários e 3% não sabem. Esses números ajudam a entender o impacto político da eventual adoção da redução da jornada.
No que diz respeito a gênero e idade, jovens de 16 a 24 anos aparecem como o grupo mais favorável à medida, com 83% de aprovação. Entre pessoas de 60 anos ou mais, o índice cai para 55%. Em termos de gênero, 77% das mulheres aprovam a redução, contra 64% entre os homens, refletindo diferenças de percepção sobre benefícios e impactos da mudança.
Historicamente, o debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou impulso nos últimos anos, passando pela avaliação de impactos econômicos, sociais e políticos. A pesquisa Datafolha traz um retrato recente desse movimento, com dados que mostram apoio estável entre a população e variações significativas conforme idade, gênero e credo político. O tema permanece em pauta no Congresso, com a expectativa de que novas discussões e propostas avancem nos próximos meses, sempre acompanhadas de avaliações sobre salários, produtividade e bem-estar dos trabalhadores.
E você, o que acha da possibilidade de reduzir a jornada para 40 horas semanais com 5×2? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte como a mudança poderia afetar a sua rotina, a empresa onde trabalha ou a localidade em que vive. Sua participação ajuda a entender as diferentes perspectivas sobre esse tema relevante para a vida de muitos brasileiros.

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