Rodrigo Paz, presidente da Bolívia, diz que Brasil exporta violência

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Brasil e Bolívia firmam cooperação para combater crime transnacional; Paz afirma que o Brasil exporta violência e discute PCC, CV e Marset

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, afirmou nesta segunda-feira (16/3) que o Brasil exporta violência para a região, em meio ao avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Bolívia e à prisão do narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, capturado na última sexta-feira (13/3). O pronunciamento ocorreu durante encontro oficial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília, marcado pela assinatura de atos de cooperação mútua para combater o crime organizado transnacional.

Paz explicou que Marset era alvo de investigações por integrar o chamado Primeiro Cartel Uruguaio, responsável por grandes remessas de cocaína da América do Sul para a Europa e pela montagem de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Logo após a prisão, Marset foi transferido de avião para os Estados Unidos. Em suas palavras, a atuação do grupo gerava “terrorismo, instabilidade e submissão” no país, citando impactos especialmente em Santa Cruz de la Sierra, que sofreu com a presença dessas organizações criminosas.

Durante o encontro, Paz foi questionado se apoiava ou não uma classificação dos maiores núcleos criminosos brasileiros, PCC e Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas internacionais. Ele não confirmou uma posição oficial, mas destacou que, para o Brasil e a Bolívia, o objetivo é combater o crime organizado, as máfias e o terrorismo como parte de um ciclo de violência. Paz ressaltou que, hoje, a sociedade brasileira vive um momento de maior liberdade, embora ainda haja desafios ligados a essas organizações.

Entre os acordos firmados, os presidentes assinaram um ato para fortalecer as ações de combate ao crime organizado transnacional. O documento prevê dupla atuação: prevenção, investigação e repressão coordenadas, com troca de informações, capacitação de policiais, cooperação para a localização de fugitivos e compartilhamento de metodologias de investigação e tecnologias. Também foram considerados acordos em áreas de turismo e energia, ampliando a cooperação bilateral.

Paz cumpre agenda no Brasil até terça-feira (17/3), participando de um fórum com empresários bolivianos e brasileiros em São Paulo, além de encontros com autoridades. O presidente boliviano destacou que as ações conjuntas devem avançar com objetivos claros e que o diálogo com Lula foi franco, direto e produtivo, reconhecendo forças e fragilidades de cada parte.

Historicamente, o tema envolve a presença de organizações criminais de alcance regional, especialmente o PCC, com atuação transnacional que impacta países vizinhos. A captura de Marset — que já foi ligado ao PCC e a redes de tráfico — é vista como um ponto de inflexão para esforços de cooperação regional. A Bolívia insiste na importância de endurecer ações contra o crime organizado, incluindo estratégias de combate ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando, enquanto o Brasil busca alinhar políticas com seus vizinhos para reduzir a violência e a instabilidade.

Para além do tema central, o acordo bilateral destacará ações na área de segurança pública, com treinamento de forças de lei, intercâmbio de informações sobre investigações e cooperação na busca de criminosos. A cooperação também envolve tópicos de turismo e energia, apontando para uma relação mais ampla entre Brasil e Bolívia na promoção de estabilidade regional e desenvolvimento econômico conjunto.

Como isso afeta a sua região e a percepção de segurança na fronteira? A participação de Paz em solo brasileiro e o tom franco do diálogo sugerem um movimento estratégico para coordenar esforços contra o crime organizado. A conversa continua, e o tema permanece em pauta nos próximos dias, com novos desdobramentos esperados na agenda bilateral.

Se você tem opinião sobre como governos vizinhos devem enfrentar o crime transnacional e a cooperação entre Brasil e Bolívia, deixe seu comentário. Queremos ouvir a sua visão sobre a eficácia de acordos como esse e o papel da cooperação regional na melhoria da segurança pública.

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