A greve de caminhoneiros pode ocorrer entre quarta-feira, 18, e quinta-feira, 19, como resposta à alta do diesel impulsionada pela guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. O litro do diesel nos postos chegou a 6,80 reais, segundo o balanço da ANP, e já houve um reajuste de cerca de 18% desde o fim de fevereiro. A principal reivindicação é a revisão dos fretes, considerados insuficientes diante dos custos operacionais atuais pela categoria.
O movimento ganhou força com o presidente da Abrava, Wallace Landim, o Chorão, que defende a paralisação, desde que haja uma data dentro da lei. Em Santos, caminhoneiros e representantes de transportadoras de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul se reuniu para debater estratégias, impactos logísticos e as condições para uma eventual interrupção. A clareza é que a resistência tende a ganhar adesão, sobretudo na região Sul.
Um ponto central é a situação dos pequenos transportadores subcontratados, em especial os que atuam como Pessoa Jurídica (PJ). Em muitos casos, há interpretações que podem gerar custo duplicado com seguro, mesmo com a carga já informada e com valores determinados pela transportadora contratante via o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CTe). O deputado Zé Trovão (PL, SC) pediu reunião urgente com a ANTT e com a SUROC para buscar uma solução administrativa rápida. Paralelamente, equipes técnicas estudam a apresentação de um Projeto de Lei para aperfeiçoar a Lei 11.442/2007, que regula o transporte rodoviário de cargas por terceiros, buscando garantir tratamento mais justo aos pequenos transportadores subcontratados.
Para ajustar o cenário, Zé Trovão reforça que quem vive da estrada não pode pagar duas vezes pela mesma proteção, defendendo medidas rápidas para defender o pequeno transportador. A mobilização envolve ações administrativas e legais para reduzir custos e ampliar a previsibilidade dos fretes, sobretudo aos com contratos com PJ e CTes já emitidos pela transportadora contratante.
Às vésperas da decisão, a CNTTL, em nota publicada após reunião na noite de terça-feira (17), solicitou a suspensão da paralisação e ressaltou que o caminho para resolver as pautas passa pelo diálogo. Ainda nesta semana está prevista uma reunião com o governo federal, com a participação de Guilherme Boulos, chefe da Secretaria-Geral da Presidência, para debater o tema. A CNTTL informou que ônibus já estão sendo organizados para levar líderes do movimento a essa agenda com o ministro.
Segundo avaliação da ACTBRAS e da ANTC, a interrupção não deve ocorrer de forma ampla, mas o movimento tem força regional, com atuação mais expressiva no Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul. A discussão envolve não apenas o reajuste de fretes, mas a proteção a pequenos transportadores e a necessidade de ajustes que tornem a atividade mais estável diante de custos crescentes e da atual conjuntura do combustível.
Historicamente, o debate sobre frete justo acompanha a regulação do transporte de cargas desde a promulgação da Lei 11.442/2007. O objetivo do PL em tramitação é aperfeiçoar esse marco, assegurando tratamento mais equitativo para os pequenos transportadores subcontratados e reduzindo vulnerabilidades diante de mudanças contratuais e obrigações de seguro. O momento revela como custos, legislação e governança se cruzam na ponta da cadeia logística, com impactos diretos na economia regional e nacional.
À medida que as negociações avançam, o tema segue vivo entre trabalhadores, empresas de transporte e gestores públicos. Qual é a sua opinião sobre o reajuste de fretes e as medidas para proteger os pequenos transportadores? Compartilhe seus pensamentos e experiências nos comentários para enriquecer o debate e ajudar a entender os desdobramentos dessa pauta essencial para o setor de logística.

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