Erika Hilton revela telefonema do SBT após falas de Ratinho

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A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) revelou ter recebido um telefonema do SBT após o apresentador Ratinho, em seu programa, afirmar que a parlamentar não poderia ser considerada uma mulher porque não tem útero. Em entrevista à coluna, Hilton disse ter adotado todas as medidas judiciais contra o comunicador e que espera uma atitude mais firme da emissora. O episódio coloca em evidência os limites do humor na televisão aberta e o impacto de falas sobre gênero no debate público.

Segundo a congressista, representantes do SBT entraram em contato com sua assessoria e chegaram a falar diretamente com ela pelo telefone. Hilton não revelou o conteúdo da conversa. A deputada informou que houve uma nota pública e descreveu o diálogo como entre bastidores, com um tom de conversa supostamente saudável por parte da emissora e da equipe jurídica.

Ela disse ainda que não percebe grandes avanços na resposta ao episódio e cobrou uma retratação direta no ar. “Não vejo muitos avanços, não me parece que estamos conseguindo avançar da maneira como nós gostaríamos. [Eu esperava] talvez uma retratação no próprio programa. A emissora tomando para si essa responsabilidade e dizendo: ‘Não, olha, extrapolou os limites do respeito, extrapolou a crítica política. Vamos tomar alguma medida’”, relatou. Hilton acrescentou que não sabe, como parlamentar, quais são exatamente as medidas legais que uma emissora pode tomar diante de uma situação como essa.

A deputada classificou as falas de Ratinho como cunho misógino, afirmando que as declarações ofendem mulheres cisgênero que, por qualquer razão, não possuem o sistema reprodutor completo. Ela destacou que o apresentador foi agressivo e que a situação envolve episódios repetidos de comportamento machista e racista na televisão, especialmente quando se trata de mulheres em posições de destaque público.

Hilton lembrou que sua atuação ganhou visibilidade após sua eleição para a Comissão da Mulher, o que elevou o tom das críticas e, segundo ela, aumentou o nível de ameaças desde então. Ela afirmou que a fala de Ratinho mobilizou não apenas movimentos sociais, mas também artistas e intelectuais, que se indignaram diante do que consideraram uma violação da dignidade feminina e de uma forma de deslegitimar mulheres que ocupam espaços de poder.

O episódio reacende o debate sobre o equilíbrio entre liberdade de expressão e responsabilidade de emissoras de televisão no trato de temas sensíveis como gênero. A cobertura também ressalta que houve episódios anteriores de comportamento discriminatório envolvendo o apresentador, alimentando a discussão sobre como a mídia pode ou não normalizar ataques a grupos vulneráveis. Hilton enfatiza a importância de uma imprensa responsável e de um debate público que respeite as mulheres e combata atitudes que incentivem o preconceito.

Se você acompanha debates sobre gênero e mídia, compartilhe nos comentários como vê a atuação de emissoras de televisão em temas sensíveis. A sua opinião ajuda a entender como a sociedade brasileira está lidando com questões de respeito, igualdade e responsabilidade jornalística.

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