Filho do ministro Nunes Marques, do STF, foi pago por empresa que recebeu R$ 18 milhões do Master e da JBS

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Lead: Movimentações financeiras envolvendo a Consult Inteligência Tributária, ligada a uma consultoria, e pagamentos a Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, aparecem em documentos do Coaf revelados pelo Estadão. Os registros apontam repasses de milhões entre bancos e 11 pagamentos ao advogado que somam cerca de R$ 281 mil, levantando questões sobre a origem dos recursos.

Contexto: a reportagem do Estadão teve acesso a documentos do Coaf sobre operações da Consult Inteligência Tributária. O material mostra repasses entre bancos envolvendo a empresa entre agosto de 2024 e julho de 2025. O Banco Master encaminhou aproximadamente R$ 6,6 milhões à consultoria, enquanto a JBS ficou responsável por outros R$ 11,3 milhões.

Histórico: a Consult foi criada há quatro anos para ampliar o atendimento às regiões Sul e Sudeste, mas o grupo atua desde 2004 com outro CNPJ e atende mais de 300 empresas. Segundo a firma, os serviços prestados incluíram auditoria tributária, consultoria e implantação de sistemas para auditoria de dados, além de migração de dados para clientes do grupo.

Confronto com o Coaf: o relatório aponta que as transações da Consult teriam sido “incompatíveis com a capacidade financeira” da empresa, sugerindo que parte dos valores poderia ter origem não formal. O documento indica que o fluxo de caixa não batia com o volume movimentado até então e que os repasses podem representar apenas passagem de recursos.

Posição do escritório: em resposta à reportagem, o escritório de Kevin de Carvalho Marques afirmou que o pagamento seria lícito e decorre do exercício regular da advocacia. Afirmou que a atuação para a empresa citada foi voltada ao fisco administrativo e que o advogado “nunca defendeu nenhum caso” no STF, rejeitando tentativas de criminalizar a advocacia e de violar o sigilo profissional.

Resposta da Consult: a empresa explicou que foi criada para expandir o atendimento às regiões Sul e Sudeste, mantendo que o grupo já atuava desde 2004 com outro CNPJ e atende mais de 300 empresas. Sobre os pagamentos ao filho do ministro, a Consult afirmou que o valor foi pela prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica entre 2024 e 2025.

Perspectiva e desdobramentos: as informações do Coaf fortalecem o escrutínio sobre a relação entre entidades de consultoria, o pagamento de honorários advocatícios e a circulação de recursos entre grandes empresas. A reportagem do Estadão aponta a necessidade de aprofundar a apuração para entender a origem dos recursos e o objetivo dessas operações. E você, o que pensa sobre esse tipo de relação entre empresas, consultorias e autoridades? Deixe sua opinião nos comentários.

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