A Igreja Universal do Reino de Deus planeja uma demonstração de força de alcance nacional na Sexta–feira da Paixão, em 3 de abril de 2026, ao alugar nove estádios de futebol em diferentes regiões do país para o evento “Família ao Pé da Cruz”. A estratégia busca ampliar a presença da denominação além da cerimônia religiosa tradicional, enviando uma mensagem política de peso e consolidando a imagem da igreja como uma voz influente no cenário nacional.
A iniciativa reúne fiéis em palcos icônicos como o Maracanã, no Rio de Janeiro; Neo Química Arena e Pacaembu, em São Paulo; além de locais significativos em Brasília, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Belém e Teresina. A escolha de nove arenas, simultaneamente, é inédita e mostra a ambição de capilaridade da Universal, que pretende mobilizar multidões em diferentes estados.
O custo do aluguel de grandes arenas já é elevado. Em dezembro, a Neo Química Arena foi reservada por cerca de R$ 2,9 milhões para um show gospel; recentemente, o Pacaembu cobrou cerca de R$ 1,25 milhão pela cessão de seu gramado. Além disso, governos locais reservaram verbas para apoiar eventos desse porte: São Paulo destinou R$ 4 milhões, e o Rio de Janeiro anunciou um patrocínio de R$ 5 milhões para a estrutura da manifestação.
O “viés político” da ação é evidente, em dois sentidos. Primeiro, pela proximidade com decisões eleitorais, uma vez que a Igreja Universal fundou o partido Republicanos, buscando ampliar sua influência sobre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, mesmo que tenha se queixado de ser preterida recentemente. O bispo Renato Cardoso — genro de Edir Macedo e apontado como seu provável sucessor — descreveu o evento como “a maior lata de conservas da família”, uma referência irônica às chamadas manifestações culturais que a igreja pretende contrapor.
No campo político, as ações da Universal aparecem em meio a um cenário em que debates sobre o uso de verbas públicas para fins religiosos ganham espaço. Embora pesquisas recentes mostrem impactos limitados de manifestações culturais sobre a popularidade presidencial entre evangélicos, a igreja continua a explorar esse capital de mobilização para reforçar sua posição no tabuleiro político nacional, sobretudo com o Republicanos buscando acordos e alianças estratégicas em estados-chave.
Historicamente, a relação entre a Igreja Universal e o PT tem altos e baixos, com períodos de antagonismo nos anos 80 e 90, seguidos de apoio a Lula nas eleições de 2000 e, mais recentemente, a Bolsonaro. Hoje, o Republicanos tenta manter espaço neutro no primeiro turno, ao mesmo tempo em que planeja movimentos locais para ampliar influência nas câmaras e governos estaduais, o que pode influenciar o cenário eleitoral de 2026.
Este evento mostra que a Igreja Universal não atua apenas como instituição religiosa, mas como força de influência social e política no Brasil contemporâneo. O modo como governos locais financiam, e como o público reage a essa soma entre fé e política, terá efeitos que vão além da Sexta-feira da Paixão. Queremos saber sua opinião: você acredita que ações desse tipo moldam o debate público? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe sua visão sobre o papel de instituições religiosas na política brasileira.

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