Veja antes e depois dos locais do acidente com o Césio-137 em Goiânia

Publicado:

compartilhe esse conteúdo


Memórias radioativas de Goiânia: o acidente de Cs-137 e as marcas que ainda acompanham a cidade

Resumo: Em 1987, Goiânia enfrentou o maior acidente radiológico já registrado fora de uma usina nuclear, iniciado pela perda de uma cápsula de Cs-137 de uma clínica de radioterapia desativada. A contaminação se espalhou por bairros, imóveis e espaços públicos, deixando marcas físicas e sociais que a cidade carrega até hoje. Este relato percorre os locais mais significativos do episódio, as vítimas, as ações de resposta e a memória que permanece vivo na cidade.

Tudo começou quando uma cápsula de material radioativo foi deixada no centro da cidade, na antiga clínica de radioterapia, que funcionava no Centro até 1985. A cápsula acabou sendo retirada de seu equipamento, reaproveitada ou exposta em um ferro-velho, e o material escapou. A partir daquele momento, o material se tornou um risco que se espalhou por diversos espaços, movendo-se entre casas, depósitos de sucata e locais públicos. A resposta envolveu uma complexa operação de contenção, descontaminação e monitoramento, cujo legado permanece em cada marco da cidade.

Antigo Instituto Goiano de Radioterapia – localizado no Centro, o prédio abrigava uma clínica de radioterapia em funcionamento até 1985. Após a desativação, o espaço foi demolido, o terreno passou por descontaminação rigorosa e hoje abriga o Centro de Convenções de Goiânia. No entanto, a cápsula que continha Cs-137 permaneceu interna, desencadeando a contaminação que motivou a resposta de emergência.

Ferro-velho de Devair Ferreira – situado no Setor Aeroporto, o local funcionava como depósito de sucata. Atraídos pelo valor do chumbo, catadores levaram partes do equipamento retirado da clínica. Ali ocorreu a abertura da cápsula, liberando o pó radioativo que emitia um brilho azul. A área foi isolada, demolida e o solo removido. Mesmo descontaminado, o terreno permanece abandonado e cercado por proibições de construção.

Casa do catador Roberto Santos Alves – na região central, foi a primeira residência na qual parte do equipamento foi trazida por catadores para desmontagem inicial. O imóvel foi demolido, o solo e artigos descartados como rejeito radioativo. O terreno passou por descontaminação, mas hoje continua vazio, com restrições de edificação na localidade.

Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira – no Setor Central, houve uma triagem maciça de vítimas após a constatação da contaminação. O espaço, que já foi a principal praça esportiva da cidade, tornou-se um polo de triagem e medição de radiação. Cerca de 112 mil pessoas passaram por exames, um indicador da escala da resposta emergencial na época.

Vigilância Sanitária – foi para lá que a cápsula foi levada na busca por contenção e isolamento. A partir desse movimento, iniciou-se a etapa de gerenciamento da contaminação, com a distribuição de cargas de trabalho, o controle de áreas afetadas e a coordenação entre diferentes órgãos públicos para evitar a disseminação do material.

Cemitério Municipal Parque – após o acidente, as vítimas receberam sepultamento em caixões de chumbo, sob forte contenção da população. O local tornou-se símbolo do impacto social e do estigma associado à radiação. Ao redor das sepulturas, as medidas de proteção e vigilância reforçaram a percepção de risco contínuo na cidade.

Aterro de rejeitos radioativos – localizado na BR-060, km 174, em Abadia de Goiás, o depósito definitivo acomodou todo o material contaminado, incluindo casas demolidas, solo e objetos. O local permanece sob monitoramento constante, como parte de uma operação de longo prazo para impedir qualquer retorno da contaminação.

Memória e seguida cobertura pública – a história do Cs-137 ganhou novos capítulos com a divulgação de relatos de vítimas, estudos técnicos e documentários. A série especial do Metropoles, Memórias radioativas, preserva as memórias da tragédia, contextualizando as vítimas e as lições aprendidas pela cidade para evitar que o episódio se repita.

Galeria de imagens

O conjunto de locais marcados pela tragédia revela não apenas o aspecto técnico do episódio, mas também o impacto humano. As demolições, as áreas isoladas e as medidas de monitoramento deram origem a uma nova forma de olhar a saúde pública, a segurança ambiental e a memória coletiva da cidade. A história de Goiânia permanece como alerta sobre o cuidado com equipamentos médicos potencialmente perigosos e sobre a importância de respostas rápidas, transparentes e bem coordenadas a crises desse tipo.

Concluímos que o episódio de 1987 deixou ensinamentos que vão muito além da ciência: ele moldou políticas públicas, reforçou a vigilância sanitária e abriu um espaço para a lembrança responsável. A cidade continua a vigiar os locais contaminados, a preservar as memórias das vítimas e a educar novas gerações sobre os riscos envolvidos na gestão de materiais radioativos.

Agora, queremos ouvir você: quais aspectos da memória de Goiânia você considera mais importantes para que a cidade não apenas lembre, mas aprenda e pratique a prevenção? Deixe seu comentário com sua visão, perguntas ou experiências relacionadas a esse episódio histórico que ainda ecoa na região.

Comentários do Facebook

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Gilmar Mendes comenta retorno de Cuca ao Santos e elogia nova passagem do treinador: “Seja bem-vindo”

Resumo: o ministro Gilmar Mendes manifestou apoio ao retorno de Cuca ao Santos, ressaltando a ligação do técnico com o clube da Vila...

Prefeitura inicia operação de sustentabilidade e meio ambiente na região do Mané Dendê

A Prefeitura de Salvador deu início à Operação Plantio Chuva 2026 no Mané Dendê, no Subúrbio da cidade. O gabinete da Secretaria Municipal...

Tiago Santineli chama Danilo Gentili de “putinha de rico”

Resumo rápido: Em Belo Horizonte, Tiago Santineli viveu uma noite de tensão na porta do Teatro da Maconaria, após uma apresentação que gerou...