Médica revela riscos de remédio que virou tendência entre famosos

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Resumo: betabloqueadores ganharam espaço no debate sobre ansiedade de performance. Embora consigam reduzir sinais físicos como taquicardia, tremores e sudorese, eles não tratam a raiz emocional do problema e exigem avaliação médica cuidadosa. Especialistas alertam para o risco de banalizar o tema e destacam que o medicamento não substitui diagnóstico, acompanhamento e tratamento adequado.

Os betabloqueadores, conhecidos como beta blockers, deixaram de ser tema exclusivo de médicos e passaram a figurar no debate público sobre desempenho e bem?estar. Os medicamentos aparecem citados por artistas e personalidades públicas como possível recurso para enfrentar a pressão, ajudando a controlar reações físicas como a frequência cardíaca acelerada, tremores e sudorese. No entanto, especialistas lembram que a eficácia está ligada a frear sintomas, não a curar a ansiedade em si.

Os betabloqueadores atuam nos receptores beta?adrenérgicos, componentes da resposta do organismo ao estresse. Em situações de ansiedade, o corpo entra em estado de alerta: o coração pode acelerar, a respiração muda e o suor aumenta. O medicamento tende a reduzir a frequência cardíaca e a sensação de “batida forte”, o que proporciona uma sensação de controle momentâneo, mas não elimina a causa emocional que sustenta o quadro ansiedade.

“Um dos sintomas mais comuns e desagradáveis da ansiedade é a sensação de ‘coração disparado’. O betabloqueador age justamente nesse mecanismo, reduzindo a frequência cardíaca e a sensação de ‘batedeira’. Isso não significa que a ansiedade foi tratada”, explica a psiquiatra Karina Diniz Oliveira, professora do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

Essa visão fica ainda mais clara quando se observa que os betabloqueadores não atuam sobre as origens do sofrimento psíquico. Em outras palavras, eles podem oferecer alívio físico, mas não substituem avaliação clínica, diagnóstico e tratamento adequado. Estudos indicam que o uso isolado não melhora a taxa de cura de transtornos de ansiedade, servindo apenas como suporte em sintomas específicos quando há indicação médica.

“A pessoa pode até sentir um alívio momentâneo, só que o problema continua ali. E, sem tratamento adequado, pode até se agravar”, afirma Karina.

Os riscos vão além da dependência potencial de depender da medicação para manter o desempenho. Betabloqueadores podem valer contra?indicados para pessoas com asma, pressão baixa e outras condições clínicas, além de causarem efeitos colaterais como queda acentuada da frequência cardíaca, sensação de fraqueza e, em alguns casos, dificuldade para respirar.

“O sintoma é um alerta do corpo de que algo não vai bem. Quando a pessoa apenas mascara esse sinal, ela pode atrasar a busca por ajuda e piorar o próprio quadro”, avisa Karina.

Numa era em que desempenho, autocontrole e imagem de estabilidade parecem cada vez mais exigidos, o uso de betabloqueadores revela uma dificuldade contemporânea de lidar com limites, vulnerabilidade e desconforto. A principal orientação permanece: antes de tentar silenciar o sintoma, é preciso entender o que ele está tentando comunicar.

Para entender melhor, procure orientação médica qualificada e considere abordagens integradas de tratamento para ansiedade, com avaliação de especialistas em saúde mental.

Qual é a sua experiência com ansiedade de performance ou o uso de medicamentos nesse contexto? Deixe seus comentários e contribua com a reflexão coletiva sobre saúde mental e bem?estar.

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