Resumo inicial: Em 2025, as hostilidades contra cristãos na Índia cresceram, com 747 incidentes verificados de violência, intimidação e discriminação, segundo o Relatório Anual 2025 da Aliança Evangélica da Índia (EFIRLC). O levantamento soma mais de 915 denúncias recebidas e aponta padrões de perseguição que se intensificam em períodos de maior visibilidade religiosa, com Uttar Pradesh e Chhattisgarh liderando a lista de estados. O documento alerta que os números verificados representam apenas uma fração da realidade, devido ao medo de retaliação e à dificuldade de acesso a recursos legais, e faz recomendações para proteger a liberdade de culto e revisar leis anticonversão.
O relatório é resultado de uma rede nacional de coordenadores de campo, consultores jurídicos, organizações parceiras e depoimentos diretos de vítimas e líderes religiosos. Para incluir um episódio, a EFIRLC exige confirmação de pelo menos duas fontes independentes, o que reforça o rigor na contabilidade de casos. Entre as formas de violência, as ameaças e o assédio representam a maior parcela, seguidas por violência física, interrupção de cultos e uso de acusações legais como ferramenta de repressão. O Advento e o Natal aparecem como períodos com maior incidência de ocorrências.
Geograficamente, Uttar Pradesh soma 217 casos, quase um terço do total, enquanto Chhattisgarh registra 177, somando quase a metade de todas as ocorrências. Outros estados com números expressivos incluem Rajasthan (51), Madhya Pradesh (47), Haryana (38) e Karnataka (31). Os dados indicam que a hostilidade não é restrita a uma região específica, mas ocorre de forma disseminada em várias localidades, com a tendência de aumentar nos momentos de maior atividade religiosa pública.
Entre os incidentes mais graves aparecem casos de violência física, expulsões de congregações, boicotes sociais e ataques a templos. Em Bastar, no início de 2025, uma cristã grávida de seis semanas foi brutalmente agredida; em Raipur, uma multidão atacou um culto, desligou a energia do prédio e feriu fiéis. No Gujarat, durante o Domingo de Páscoa, invasões foram registradas em duas congregações, com agressões a pastores e dano a bens. Em Sukma, Chhattisgarh, famílias cristãs foram expulsas de casas após acusações de abandono do rito tribal.
Casos em outros momentos do ano também chamaram a atenção: em Durg (Chhattisgarh), cinco pastores foram agredidos sob custódia; duas freiras da Congregação das Irmãs de Maria Imaculada foram detidas após denúncia de tráfico de pessoas e de conversão forçada; em Haryana, casais cristãos foram atacados e coagidos a queimar Bíblias. O relatório aponta ainda episódios de violência contra comunidades cristãs durante ações de grupos nacionalistas, refletindo um padrão de intimidação que se estende a todo o espectro social.
Um dos casos mais perturbadores envolve o episódio de Bedetevda, em Chhattisgarh, em que a família de um morador tribo foi atacada após protestos sobre o sepultamento de um parente cuja prática religiosa incluía tradições tribais. Subsequentemente, autoridades ordenaram a exumação do corpo e sua transferência para um cemitério cristão, levando a questionamentos legais que vão até a Suprema Corte. O relatório destaca que a negação do direito ao sepultamento para famílias cristãs é um padrão observado ao longo de 2025.
Em termos de ações legais, a EFIRLC registra que leis anticonversão continuam a ser um fator significativo de perseguição. Em Uttar Pradesh, a Lei de Proibição de Conversão Religiosa foi invocada repetidamente contra cristãos que realizavam cultos simples. Em Rajasthan, a Assembleia aprovou a Lei de Proibição da Conversão Ilegal de Religião em 2025, ampliando a lista de estados com legislação semelhante. O incidente envolvendo o Hindustan Bible Institute, em Jaipur, reforça o papel de interpretações legais como instrumento de repressão.
O relatório cita episódios de prisões, detenções administrativas e acusações de conversão para justificar ações contra fiéis. Casos de violência durante sepultamentos, invasões a igrejas e perseguição a líderes religiosos aparecem como marcas do ano. A EFIRLC ressalta a vulnerabilidade das comunidades cristãs, especialmente em regiões onde a atuação de grupos extremistas se articula com instrumentos legais e sociais de pressão.
Além das ocorrências específicas, a ONG aponta que o clima institucional favorece ataques a cristãos, associando-os a uma retórica de exclusão que alimenta o medo entre moradores cristãos. A liderança da EFIRLC, representada pelo reverendo Vijayesh Lal, afirma que a defesa da liberdade de consciência e igualdade perante a lei deve ser prioridade nacional, destacando que não se busca privilégio, mas garantias de tratamento igualitário para todos os cidadãos.
Fundada em 1951, a EFIRLC reúne mais de 50 denominações protestantes, abrange mais de 65 mil igrejas e coopera com mais de 200 agências missionárias. O grupo atua com publicações anuais desde 2009 e documenta violações à liberdade religiosa desde 1998. O contexto político nacional, especialmente desde a montagem de governos de maior influência de correntes nacionalistas, é citado como fator que condiciona o aumento da hostilidade contra cristãos em diferentes regiões. A liderança internacional de organizações como Portas Abertas contribui para o monitoramento do tema, elevando a percepção de risco para comunidades religiosas em todo o país.
Os dados apresentados pelo Relatório Anual 2025 da EFIRLC reforçam a urgência de políticas públicas que protejam a liberdade de culto e garantam a integridade de moradores cristãos. A organização cobra do governo central e dos governos estaduais medidas efetivas para responsabilizar os culpados, coibir abusos das leis anticonversão e ampliar mecanismos de reparação para as vítimas. O objetivo é assegurar que todos os cidadãos possam viver e praticar a própria fé sem medo, respeitando a diversidade religiosa no país.
E você, leitor, como vê a relação entre leis, sociedade e liberdade de culto no seu estado? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre como fortalecer a convivência pacífica entre diferentes tradições religiosas no Brasil e na Índia.

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