Jovem Pan> Notícias> Brasil> Brasil investe apenas 2% do PIB em infraestrutura, aponta BID

Segundo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento, a estimativa é que o país precisaria aplicar ao menos 4,5% do PIB no setor

  • Por Jovem Pan
  • 30/03/2026 09h04 – Atualizado em 30/03/2026 09h10

Anselmo Cunha / AFP

Rio Grande do Sul

A falta de investimentos impacta diretamente serviços essenciais, como abastecimento de água e saneamento.

O Brasil investe apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, menos da metade do mínimo necessário para sustentar o crescimento econômico, segundo levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento. A estimativa é que o país precisaria aplicar ao menos 4,5% do PIB no setor.

A falta de investimentos ocorre em meio à ausência de dados consolidados sobre a infraestrutura nacional, o que dificulta a definição de prioridades e compromete a eficiência das políticas públicas. Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico também aponta a baixa transparência como um dos entraves ao desenvolvimento.

Para enfrentar esse cenário, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia lançou, em 16 de março, o Infra-BR, índice que avalia as condições de infraestrutura nos 26 estados e no Distrito Federal. A plataforma reúne 67 indicadores, organizados em seis dimensões, como mobilidade, saneamento, energia e meio ambiente, com notas de 0 a 100.

O objetivo é oferecer um diagnóstico detalhado para orientar a alocação de recursos. “O maior obstáculo é identificar onde aplicar os recursos. Com esses indicadores, será possível distinguir o que é urgente do que pode ser planejado”, afirmou o presidente do Confea, Vinicius Marchese.

Os dados mostram forte desigualdade regional. O Distrito Federal lidera o ranking, com 74,67 pontos, enquanto o Acre aparece na última posição, com 28,46. Entre os estados acima da média nacional, a maioria está nas regiões Sul e Sudeste, enquanto os piores resultados se concentram no Norte.

No Nordeste, o saneamento básico aparece como principal gargalo, com índices baixos em estados como Pernambuco e Maranhão. Já unidades da federação do Sul e do Centro-Oeste apresentam melhores resultados na área.

“Sem métricas claras, governos podem acabar concentrando esforços apenas na execução orçamentária sem avaliar se os investimentos estão, de fato, produzindo resultados concretos para a população. Um índice permite identificar gargalos, desigualdades territoriais e lacunas de informação”, observa Telma Hoyler, doutora em Ciência Política pela USP e consultora de políticas públicas e integrante da equipe de formulação do Infra-BR – Índice Confea de Infraestrutura do Brasil.

 

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