Animais decapitados e mutilados são bode e cabra, confirma PCDF

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Gama: PCDF investiga mutilação de bode e cabra; entidades divergem sobre possíveis rituais

A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou o achado de dois animais decapitados e mutilados dentro de sacos de lixo no Gama, no Setor Sul. A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra os Animais (DRCA), analisa a hipótese de que os animais tenham sido usados em rituais religiosos, enquanto uma entidade ligada às tradições afro-brasileiras afirma que o episódio não representa as práticas da região e ressalta o aspecto da alimentação e da utilização de recursos locais.

Os fatos aconteceram na noite de domingo, 29/3, na Quadra 4 do Setor Sul do Gama. A polícia inicialmente informou que os animais eram dois cães, mas a perícia apontou que se tratava de um bode e uma cabra, encontrados sem cabeça e com as patas ausentes, dentro de sacos de lixo. A descoberta provocou maior atenção da DRCA, que investiga a possibilidade de mutilação associada a rituais ou ao abate irregular.

“Os animais apresentavam ausência de cabeça e patas que foram removidas após a morte dos animais, circunstância que afasta, em princípio, a hipótese de mutilação em vida, mas não exclui a necessidade de apuração quanto à regularidade do abate e a destinação dos restos”, explicou o delegado-chefe da DRCA, Jônatas Silva.

A versão inicial de que seriam dois cães foi corrigida pela perícia, que identificou o bode e a cabra. A DRCA afirma que as investigações seguem para identificar os responsáveis e apurar as circunstâncias do ocorrido, especialmente no que diz respeito à madeira do abate, ao destino dos restos e às possíveis ligaduras com rituais.

Entidade se manifesta

A Federação Uirapuru, que atua junto às tradições de matriz africana, explicou que o crime não pode ser ligado aos rituais. “É importante que a gente registre que isso não faz parte dos preceitos das tradições afro-brasileiras. Nós temos ritos que ofertamos animais, frutos, folhas, mas todos esses elementos não fazem parte apenas ritualisticamente; fazem parte da dieta da casa, da alimentação da região. Nós trabalhamos para a segurança alimentar”, destacou Tata Ngunzetala, sacerdote de Candomblé Angola/Congo, conselheiro de Ancestralidade da Federação Uirapuru.

“Se é um bode, esse bode faz parte da alimentação, até o couro é utilizado nos instrumentos percussivos. É a mesma coisa com galinhas, com qualquer tipo de animal comestível, até porque a gente só faz isso com animais que nós vamos comer. Um dos preceitos é esse: se não são animais comestíveis, não há motivo de sacralizá-los dentro das tradições afro-brasileiras, como candomblé, umbanda. Se tem alguma casa que faz fora desses conceitos, faz por conta própria, não por conceito, não por preceito, não por dogma, não por orientação das pessoas mais velhas”, completou o conselheiro.

A DRCA segue investigando para esclarecer as circunstâncias do abate, a regularidade do manejo dos animais e a eventual participação de terceiros. A Polícia Civil reforça o compromisso com a apuração completa dos fatos e com a responsabilização de quem violar a legislação de proteção aos animais e de ética na prática religiosa.

A cidade merece respostas claras sobre o que aconteceu no Gama e como as autoridades vão prevenir episódios semelhantes. Compartilhe nos comentários suas opiniões sobre o equilíbrio entre respeito às tradições culturais e proteção animal, além de como a comunidade pode colaborar com investigações transparentes e responsáveis.

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