Holding de amigo de Toffoli tinha licença para usar marca Tayayá em novo resort

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Uma holding ligada a um empresário próximo à família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está no centro de uma disputa judicial envolvendo o uso da marca Tayayá em um novo empreendimento de luxo no Paraná.

A empresa, administrada pelo empresário Euclides Gava Junior, um dos fundadores do resort frequentado pelo ministro, tinha autorização para usar o nome “Tayayá” em um novo empreendimento — o Tayayá Porto Rico Residence & Resort —, localizado a cerca de 360 km do original.

A licença foi concedida em 2023 à GIRE Empreendimentos e Participações Ltda., que integrava o grupo responsável pelo projeto ao lado da Maridt Participações S.A., da qual o ministro é sócio.

Essas empresas eram sócias da Terras do Paraná Empreendimentos S.A., responsável pelo desenvolvimento do novo resort. A relação permitia, na prática, o uso do nome no empreendimento, erguido em São Pedro do Paraná (PR), próximo à cidade de Porto Rico.

Com a reestruturação societária e a saída dessas companhias — entre elas a Maridt —, a relação entre o controle da marca e o projeto foi alterada. Ainda assim, o grupo permaneceu à frente do novo resort.

Ocorre que, conforme mostrou a coluna, o advogado Paulo Humberto Barbosa, dono do resort original em Ribeirão Claro (PR), ingressou com ação para barrar o uso da marca Tayayá pelo novo empreendimento.

Ligado aos irmãos Joesley e Wesley Batista — para quem já advogou —, Barbosa sustenta, em ação obtida pela coluna, que o novo resort utiliza a marca de forma indevida, já que, com o fim da estrutura que conectava as empresas, a autorização para uso do nome deixou de existir.

“No caso concreto, a utilização da marca ‘TAYAYÁ’ em contexto dissociado da base contratual válida, em desacordo com o registro concedido e com o manual de identidade visual, configura verdadeira contrafação marcária, na medida em que há exploração não autorizada de sinal distintivo protegido, com evidente potencial de confusão no mercado”, dizem os advogados.

A defesa prossegue: “Além disso, evidencia-se prática de parasitismo marcário, consistente na apropriação indevida do prestígio, da credibilidade e do valor econômico associados à marca consolidada, com obtenção de vantagem concorrencial sem o correspondente investimento empresarial. Tal conduta viola frontalmente os princípios da lealdade concorrencial e da boa-fé objetiva”.

A coluna não conseguiu localizar Euclides Gava Junior. A reportagem também tentou contato com os advogados que representam o Tayayá Porto Rico Residence & Resort, mas não obteve retorno.

Em nota divulgada há dois meses, o perfil oficial do empreendimento afirma que o resort é autônomo, com governança própria e sem ligação com o Tayayá original.

“A adoção da denominação ‘Tayayá’ ocorre mediante autorização formal para uso da marca, nos termos de instrumento contratual regularmente celebrado entre as partes”, diz o comunicado.

Conforme mostrou a coluna do Metrópoles Dinheiro & Negócios, todas as cotas desse empreendimento para casas e apartamentos já foram vendidas, somando R$ 220,2 milhões.

Holding de amigo de Toffoli tinha licença para usar marca Tayayá em novo resort - destaque galeria

Metrópoles

Conforme mostrou a coluna Dinheiro & Negócios, o empreendimento está sendo erguido em São Pedro do Paraná (PR), próximo à cidade de Porto Rico, conhecida como a “Miami do Paraná” e “Dubai do Sul”, na divisa com Mato Grosso do Sul.

O novo projeto promete ser ainda mais luxuoso do que o primeiro resort da rede Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), do qual os irmãos do ministro Dias Toffoli foram sócios. “Imagine um cenário paradisíaco, com praias de areia branca e águas cristalinas”, diz o site do empreendimento.

A página também destaca os principais atrativos do complexo: piscinas com borda infinita, aquaplay, toboáguas, pistas de boliche, spa, saunas, fitness center, sunset lounge club, bares, boutique e restaurante internacional.

Segundo o material publicitário, o projeto prevê 220 apartamentos e 338 lotes de casas.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

PF prende funcionário do STJ suspeito de vazar decisões

O Superior Tribunal de Justiça confirmou que uma operação da Polícia Federal prendeu um funcionário terceirizado do gabinete de um ministro suspeito de...

Senado vai liberar servidores mais cedo em jogos da Seleção Brasileira

Para poder atender a todas as regras de reescrita que você descreveu, preciso do texto original completo. O que você enviou aparece apenas...

Senador Jaques Wagner compra apartamento de R$ 9 milhões no bairro de luxo em Salvador

O senador Jaques Wagner (PT) fechou a compra de um segundo apartamento no Victory Tower, prédio de alto padrão de frente para o...