Resumo: a BYD entrou para a lista suja do Ministério do Trabalho e Emprego, entre 169 novos nomes, após o resgate de trabalhadores chineses na construção de sua fábrica em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. O episódio revelou condições análogas à escravidão: alojamentos inadequados, seguranças armados que impediam a saída, retenção de passaportes e contratos com cláusulas ilegais, jornadas exaustivas e ausência de descanso. Ao fim de 2025, o Ministério Público do Trabalho na Bahia fechou acordo de R$ 40 milhões envolvendo a BYD e duas empreiteiras para reparação e responsabilização.
Em dezembro de 2024, equipes do MPT-BA resgataram 220 trabalhadores na obra da fábrica da BYD em Camaçari, cidade da região de Salvador. Os operários estavam alojados em condições precárias, sob vigilância de seguranças armados que impediam a saída, e tinham seus passaportes retidos. Além disso, os contratos continham cláusulas consideradas ilegais, com jornadas de trabalho exaustivas e ausência de descanso semanal, configurando graves indícios de irregularidades trabalhistas.
A apuração também apontou que os trabalhadores entraram no Brasil com vistos destinados a serviços especializados que não correspondiam às funções exercidas na obra, levantando dúvidas sobre a legalidade da contratação e da mão de obra envolvida no projeto.
Naquele momento, a BYD informou que a construtora Jinjiang Construction Brazil Ltda seria a responsável pelas irregularidades e anunciou o rompimento do contrato com a empresa. A montadora afirmou que não tolera desrespeito à legislação brasileira nem à dignidade humana, e determinou a transferência de parte dos trabalhadores para hotéis na região, como medida de proteção e reorganização da operação.
Ao longo de 2025, o Ministério Público do Trabalho na Bahia formalizou um acordo no valor de R$ 40 milhões com a BYD e duas empreiteiras envolvidas, após ajuizamento de ação civil pública relacionada a trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas. O acordo busca reparar os danos aos trabalhadores e fortalecer as medidas de fiscalização para evitar novas violações.
A inclusão da BYD na lista suja reforça o compromisso das autoridades trabalhistas com a fiscalização de grandes obras na região de Salvador e com a responsabilização de empresas que violam direitos trabalhistas, especialmente quando envolvem mão de obra estrangeira e condições degradantes de trabalho. A cidade de Camaçari, que abriga o complexo industrial, passa a receber maior escrutínio para assegurar que práticas de contratação, alojamento e jornada laboral estejam em conformidade com a lei e com padrões de dignidade humana.
E você, o que pensa sobre a atuação dos órgãos de fiscalização e as medidas adotadas para reparar danos a trabalhadores vulneráveis? Compartilhe suas perspectivas nos comentários e ajude a manter o debate aberto sobre responsabilidade empresarial, direitos humanos no trabalho e a efetividade de políticas públicas na proteção de quem move a produção do país.

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