Resumo: Correr traz benefícios à saúde, mas a poluição do ar pode reduzir esses ganhos, especialmente em treinos longos. Estudos com o médico Paulo Saldiva indicam que a concentração de poluentes perto de vias de tráfego é de 40% a 50% maior do que em áreas mais tranquilas. Plantas e vegetação nos parques ajudam a mitigar o impacto, enquanto trajetos longos próximos a vias podem exigir hidratação ainda mais cuidadosa para evitar inflamação, desidratação e riscos cardíacos.
Além disso, pesquisas apontam que a umidade, a temperatura e o nível diário de poluição influenciam diretamente a saúde dos corredores. Em dias secos, por exemplo, a poluição tende a aumentar e a hidratação torna-se ainda mais crucial, já que o organismo perde fluidos pela transpiração e pela respiração mais intensa. Quando o sangue fica mais concentrado, aumenta o risco de inflamação muscular e de trombose durante esforços prolongados.
Entre os relatos de quem vive a prática, cientistas e atletas compartilham experiências reais. Roberto Santana, 60 anos, descreve mal-estar durante uma meia-maratona na zona leste, com sensação de ar poluído e elevação da pressão arterial. Bia Lima, 45, educadora física, prefere treinar à noite em locais arborizados para reduzir a exposição e manter o bem-estar mental. Thiago Cristovam, 33, conhecido como “Sapato Trocado”, relata o ar pesado que altera a circulação sanguínea e a performance.
Do ponto de vista geográfico, o estudo aponta que alguns locais são mais apropriados para treinos longos. O trajeto próximo aos corredores de tráfego é mais desafiador, mas há exceções: no Parque Trianon, ao entrar no espaço verde entre a Rua Augusta e a Avenida Paulista, a concentração de poluentes cai rapidamente. Já no Cemitério do Araçá, próximo à Avenida Dr. Arnaldo, a poluição tende a ser maior pela menor presença de vegetação. O recado é claro: não é preciso abandonar a corrida, mas escolher trechos com menos poluição pode prolongar a saúde ao longo de longas distâncias.
Riscos e recomendações. Segundo Saldiva, três variáveis devem ser levadas em conta: o nível de poluição do dia, a umidade e a temperatura. Em dias secos, a poluição aumenta e a hidratação passa a ter papel decisivo. A combinação de poluentes inalados com esforço físico pode induzir inflamação subclínica nos músculos e exigir que o coração bombeie sangue com menos fluidez, elevando o risco de coagulação. A ingestão adequada de líquidos ajuda a manter o volume sanguíneo, reduzindo a chance de trombose ou arritmia durante provas longas. A umidade necessária para o alvéolo ainda é perto de 95%, o que reforça a importância de hidratação contínua.
Entre os corredores consultados, a prática de adaptar horários e locais de treino aparece como estratégia eficiente. Santana cita a experiência de sentir o efeito da poluição na preparação para a maratona; Lima evita aglomerações e opta por parques com mais vegetação; já Thiago aponta como o ar carregado pode mudar a dinâmica da circulação. O recorte comum é a busca por equilíbrio: treinar com responsabilidade, priorizando trechos arborizados, horários com menos tráfego e hidratação constante para preservar o desempenho sem abrir mão da saúde.
Encerramento: a prática de corrida continua essencial para a saúde, desde que os corredores façam escolhas conscientes para reduzir a exposição à poluição. Prefira treinos em parques com vegetação, mantenha a hidratação regular e ajuste trajetos conforme as condições do dia. E você, como ajusta seus treinos diante da poluição? Compartilhe suas experiências, dicas e opiniões para que mais moradores da cidade possam correr com mais segurança e bem-estar.



