Eleição: Peru prorroga votação após falta de cédulas e denúncias de fraude

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O Conselho Nacional de Eleições do Peru anunciou, na noite de domingo, a prorrogação da votação em zonas específicas do país, em meio a um pleito que reuniu um recorde de 35 candidatos à presidência. A decisão surgiu diante de tumultos gerados pela falta de cédulas de votação e por denúncias de fraude, levando as autoridades a abrir a possibilidade de votar em horas ou dias adicionais nas seções atingidas pela dificuldade de fornecimento de material eleitoral.

O dia foi marcado por distúrbios nas zonas eleitorais, com relatos de confusão devido à ausência de cédulas. Em Lima e em dois distritos nos Estados Unidos, em Orlando e Paterson, também houve registros de problemas. Segundo a secretaria do órgão, apenas algumas seções ficaram incompletas, enquanto o conjunto do território apresentou funcionamento próximo da capacidade. A estirpe de falhas não apaga a mobilização para escolher o futuro presidente, mas altera o cronograma de apuração.

Ao todo, 63.300 eleitores na capital Lima não conseguiram votar por conta da falta de material. A direção da ONPE indicou que, em todo o país, de 92.012 seções eleitorais, 99,8% foram instaladas com sucesso; apenas 211 seções não receberam o material necessário para o voto. Ainda assim, aproximadamente 27 milhões de peruanos estavam aptos a votar, e a participação continua sendo obrigatória no país.

Com o adiamento, a expectativa é que as apurações avancem de forma mais estável a partir de quarta-feira, 15 de abril. A retificação do cronograma visa manter a lisura do pleito diante dos problemas logísticos, sem desrespeitar o direito de voto dos eleitores que ficaram sem cédulas no domingo. A notícia de atraso circula entre os cidadãos e centros de votação, que aguardam o desfecho das contagens.

Na atualização de boca de urna, o cenário aponta para um segundo turno. Conforme o jornal El Comercio, os candidatos aparecem distantes de alcançar 50% dos votos, o que indica disputa entre líderes das pesquisas. Às 20h, horário de Brasília, a direitista Keiko Fujimori liderava com 16,5%, seguida pelo ultraconstrutivista Rafael López com 12,8%, o centro-esquerdista Jorge Nieto Montesinos com 11,6%, o empresário de mídia Ricardo Belmont com 10,5% e o deputado centro-esquerdista Roberto Sánchez Palomino com 10%.

O Peru vive um período de crise institucional: o atual presidente interino é José María Balcázar Zelada, eleito pelo Congresso para liderar o país até 28 de julho de 2026. Em fevereiro, o Congresso destituiu José Jerí após aprovação de uma moção de censura, em meio a investigações por suposto tráfico de influência e encontros não divulgados com um empresário chinês. Jerí ocupava o cargo havia apenas quatro meses, tendo assumido a Presidência em outubro, após a destituição de Dina Boluarte em um processo político. A crise há anos coloca o país diante de uma rotação de lideranças, com oito presidentes nos últimos dez anos, formando um quadro de instabilidade que acompanha as eleições.

Diante desse panorama, observa-se uma eleição marcada por tensões políticas e desafios logísticos, que podem moldar o rumo institucional do país nos próximos meses. A população acompanha com atenção cada desdobramento, enquanto as disputas políticas se afunilam para definir o caminho institucional do Peru. Qual o seu olhar sobre esse pleito e as consequências para o futuro da região? Compartilhe sua opinião nos comentários e dialogue com outros leitores sobre o que está em jogo neste momento decisivo.

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