Caso de possível negligência médica no DF envolve amputação de nádegas e disputa entre família e gestão de saúde
Um caso no Distrito Federal ganhou contornos de disputa entre familiares de um paciente e gestores da saúde após a amputação de parte das nádegas durante internação no Hospital Regional de Sobradinho (HRS). A família acusa negligência médica e aponta falhas no atendimento em diferentes unidades, enquanto o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF) sustenta que não houve falha e que a evolução clínica foi acompanhada de perto. O desfecho envolve transferência entre unidades, risco de morte e a expectativa de uma eventual reparação judicial.
O caso teve início em 20 de janeiro de 2026, quando José Marques Barbosa, 62 anos, foi internado no Hospital de Base (HB) após atropelamento com politraumatismo. O diagnóstico inicial apontou traumatismo craniano. Em 3 de fevereiro, ainda em recuperação de fraturas na clavícula e em três costelas, ele recebeu alta, sem prescrição de medicamentos, apenas um calmante, segundo relato da família.
Pouco tempo depois, o paciente piorou e foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Riacho Fundo II. Exames indicaram plaquetas baixíssimas e pneumonia, com aproximadamente 80% do pulmão comprometido. A UPA encaminhou-o para o HB, onde, segundo a família, o prontuário não havia sido localizado ao chegar. Após pressão da família, José Marques foi internado em uma Unidade de Cuidados Intensivos (UCI).
Diante do quadro grave, o paciente foi intubado e, posteriormente, contraiu uma bactéria agressiva. A família questionou se ele recebia os cuidados básicos de higiene, já que o odor havia se tornando evidente. Em busca de mais suporte, a família acionou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o que resultou na transferência para o Hospital Regional de Sobradinho (HRS), onde houve a indicação de retirada de parte das nádegas. Em seguida, o paciente foi remanejado para o Hospital Regional de Samambaia (HRSam), onde permanece em estado grave, sem previsão de alta.
Entenda o caso:
- José Marques foi internado em estado grave no Hospital de Base, em 20 de janeiro de 2026, após ter sido atropelado por uma moto. Inicialmente, o diagnóstico apontou traumatismo craniano.
- Em 3 de fevereiro, segundo a família, mesmo ainda se recuperando de fraturas na clavícula e em três costelas, José Marques recebeu alta. Não teria recebido prescrição de remédios, apenas um calmante.
- O paciente passou mal e foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Riacho Fundo II. Exames diagnosticaram plaquetas baixísimas no sangue e pneumonia: ele estava com, aproximadamente, 80% do pulmão comprometido.
- A UPA transferiu José para o Base. Chegando ao hospital, a família teria sido informada de que o prontuário do paciente não havia sido localizado. Após press&at; o de da família, José foi internado em uma Unidade de Cuidados Intensivos (UCI).
- Com o quadro grave, José Marques foi intubado. Na sequência, o paciente contraiu bactéria agressiva. A família questionou se José estaria recebendo os cuidados básicos de higiene, porque o paciente exalava odor forte.
- Em busca de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a família pediu apoio ao MPDFT. Dessa forma, José conseguiu leito no HRS. Lá, os médicos diagnosticaram a necessidade de retirada de parte das nádegas.
- O paciente foi transferido para o HRSam, apresentando grave estado de saúde, com confusão mental e perda de memória. Não há previsão de alta.
Paralelamente, o IgesDF informou que o paciente chegou ao Hospital de Base em 20 de janeiro de 2026 com politraumatismo e que, durante a internação, foram realizados exames, incluindo tomografia de crânio de controle, sem evidência de piora e sem indicação cirúrgica. A nota oficial também informou que não houve perda de prontuário. Segundo a instituição, dois registros cadastrais foram identificados, sem prejuízo à assistência, e o paciente recebeu acompanhamento conforme avaliação médica ao longo de todo o período sob cuidado.
Sobre a evolução clínica, o IgesDF destaca que pacientes em estado crítico com mobilidade reduzida, alterações neurológicas e instabilidade hemodinâmica apresentam maior risco de lesões por pressão, ainda com o cumprimento de protocolos preventivos. O instituto reforçou que não houve cirurgia nas nádegas durante o período no HBDF, e que a condição atual não configura falha única na assistência.
O Metrópoles tentou ouvir a Secretaria de Saúde; o órgão confirmou a internação de José Marques no HRSam, mas não apresentou detalhes sobre o estado atual do paciente. A família, por sua vez, mantém a expectativa de recuperação e busca reparação pela suposta cadeia de falhas no atendimento.
Em meio a esse quadro, a família afirma que a conduta médica resultou na amputação de parte das nádegas e na deterioração da qualidade de vida de José Marques. O debate agora envolve não apenas a evolução clínica do paciente, mas também a responsabilização de profissionais de saúde e das instituições envolvidas, com a possível ação judicial em curso, conforme relato da família.
Convidamos você, leitor, a compartilhar sua opinião sobre a atuação das redes de saúde no DF nesses casos. Como você acha que deveriam ser apuradas eventuais falhas, e que medidas de transparência e responsabilização poderiam evitar situações similares no futuro? Deixe seu comentário abaixo para debater a questão com base nos fatos apresentados.
