Resumo curto: Observadores apontam que ACM Neto está adotando uma versão mais suave de seu estilo de comunicação, com João Santana à frente da campanha. A estratégia busca resgatar a antiga fórmula de Duda Mendonça, “Lulinha paz e amor”, para ampliar o apoio entre eleitores que oscilam entre Lula e o PT na Bahia, buscando evitar confrontos diretos e ampliar o alcance até 2026.
A partir de 2023/2024, após a derrota em 2022, ACM Neto retorna à cena como oposição mais aguerrida, porém com escolhas estéticas e temáticas que sinalizam uma adaptação. O entorno do ex-prefeito tem trabalhado para mudar o tom, tentando distanciar-se de conflitos diretos com Lula, enquanto busca encaixar sua atuação em uma moldura que não afaste aliados importantes nem o eleitorado que hoje critica o manejo do PT na Bahia.
A versão “ACM Neto paz e amor” emerge nos últimos eventos públicos ligados à campanha. Em Feira de Santana, com a apresentação de Zé Cocá como candidato a vice-governador, e na adesão de José Carlos Aleluia, ex-candidato a governador pelo Novo, o tom crítico não vem diretamente de Neto, mas de quem o circunda. A estratégia é usar críticas contidas para não queimar a relação com Lula, mantendo o foco em propostas para a cidade.
O episódio envolvendo o prefeito Bruno Reis, que reagiu à provocação sobre a inauguração de um conjunto residencial com a presença de Lula, ilustra esse rearranjo. Bruno sugeriu que adversários teriam “tomado uísque até tarde”, justificando cancelamentos de agendas, embora a própria agenda tenha sido cancelada no dia anterior. A ideia era sinalizar firmeza frente aos antipetistas, ao mesmo tempo em que se posiciona como guardião da aliança com setores que recusam o desgaste com o petismo.
Se esse modelo seguir, a versão mais “leve” de Neto tende a ampliar o público que, embora seja crítico ao modelo de gestão do PT na Bahia, guarda simpatia por Lula. A lógica de resgatar a fórmula dos anos 2000 — quando o cenário político era menos polarizado e Lula ainda não era dado como certeza no Palácio do Planalto — volta a ganhar força, com João Santana no comando das ações e a esperança de repetir acertos que marcaram campanhas anteriores.
O cenário, porém, permanece dinâmico. A eleição de 2026 pode exigir ajustes finos para manter esse equilíbrio entre discurso combativo e apelo de unidade. A pergunta que fica é se a Bahia verá uma coalizão capaz de manter o antipetismo sem favorecer Lula ou se Neto conseguirá consolidar uma margem de voto que o posicione como alternativa viável, sem hostilizar o eleitor que já o reconhece como referência regional.
E você, leitor, como enxerga esse movimento? Acredita que a estratégia de aproximação e tom mais moderado de ACM Neto pode reverter o jogo regional ou ainda alimenta a polarização entre apoiadores de Lula e críticos do PT na Bahia? Compartilhe suas opiniões nos comentários e ajude a formar a leitura sobre esse cenário em transformação.
