Resumo: recentes encontros entre a Associação Comercial da Bahia (ACB), o setor produtivo e líderes parlamentares reforçaram a pauta sobre a escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. O objetivo não é travar um confronto entre empresas e trabalhadores, e sim analisar impactos regulatórios, econômicos, sociais e ambientais, com transparência. Defesas de diálogo com audiências públicas e participação de diferentes regiões do estado buscam orientar o Congresso sobre efeitos diretos em empregos, preços e poder de compra, antes de qualquer avanço legislativo.
A ACB, em parceria com a Federação das Associações Comerciais da Bahia (Faceb), vem ampliando o diálogo em âmbito estadual e nacional. O objetivo é levar as demandas de empresários de distintas regiões da Bahia ao Congresso, fortalecendo a representação do setor produtivo. Segundo os participantes, a pauta não se resume a reorganizar dias trabalhados, mas envolve mudanças estruturais que afetam emprego, custo de vida e renda de toda a população.
Para Isabela Suarez, presidente da ACB, é essencial que a sociedade compreenda o real alcance da proposta. Ela afirma que a narrativa simplificada omite que a discussão envolve a redução da jornada efetiva, com manutenção de salários, o que implica alterações significativas nos custos das empresas, nos preços praticados e no poder de compra do trabalhador. “Todos querem mais tempo livre, mas é preciso entender quem paga essa conta”, alerta Suarez.
Carlos Henrique Passos, presidente da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), destacou a necessidade de aprofundar o debate técnico. Ele enfatizou que é fundamental avaliar impactos especialmente sobre micro e pequenas empresas, bem como em regiões economicamente sensíveis do Nordeste. “É uma discussão legítima, mas não pode ocorrer por imposição, sem estudo dos efeitos reais”, afirmou, apontando o cuidado com possíveis prejuízos a longo prazo.
Para o deputado Antonio Brito, o debate deve permanecer equilibrado. Ele ressaltou que não se trata de uma briga entre empresários e trabalhadores, mas de um tema relevante para a sociedade. “Não dá para avançar sem ouvir os setores produtivos. O diálogo é útil para todos”, disse, destacando a importância de ouvir diferentes perspectivas antes de qualquer decisão.
O deputado Adolfo Viana acrescentou que levará as contribuições da ACB ao centro das discussões políticas. Ele afirmou que será ponte para que a voz do setor chegue ao núcleo de lideranças nacionais, propondo audiências públicas para discutir os efeitos colaterais da medida e como isso repercute na vida do trabalhador. A ideia é tornar o debate público e transparente, com participação de diversas regiões.
Dentro da atuação institucional apresentada, a ACB também defende instrumentos que permitam adaptar a jornada às diferentes realidades dos setores produtivos, evitando soluções únicas para uma economia complexa. Paulo Mota, presidente do Sindilojas, lembrou que propostas de redução rígida de jornada podem inviabilizar o varejo local, trazendo a necessidade de manter o padrão atual de 6×1 e 44 horas semanais, a menos que haja capacidade real de absorção de custos pelas empresas.
Guilherme Moura, vice-presidente da Faeb (Federação da Agricultura e Pecuária), enfatizou que a melhoria da qualidade de vida do trabalhador está intimamente ligada à produtividade. Segundo ele, sem tratar de remuneração, produtividade e competitividade, a redução de jornada pode desequilibrar a economia, colocando empregos e investimentos em risco a médio prazo.
Representantes de Sinduscon-Ba, Sindipan, Fecomércio, Faceb, Sinderc, Sindicombustíveis, AdemiBA e FCDL participaram da reunião, reforçando a necessidade de um debate amplo e técnico. Ao final, ficou claro que qualquer avanço legislativo deve ser precedido de avaliações de impacto regulatório, econômico, social e ambiental, aliado a amplo diálogo com os setores produtivos para evitar efeitos adversos de difícil reversão.
A perspectiva comum entre os participantes é a de que mudanças na jornada de trabalho devem ser cuidadosamente calibradas, com mecanismos que permitam ajustar a prática conforme a realidade de cada setor. O objetivo é equilibrar desenvolvimento econômico e valorização do trabalho, sem prejudicar empregos nem a capacidade de investimento das empresas.
E você, leitor, qual é sua visão sobre a redução da jornada de trabalho e a possível mudança na escala 6×1? Acredita que é possível conciliar mais tempo livre com empregos estáveis e inflação contida? Compartilhe seus argumentos nos comentários para enriquecer o diálogo que envolve a vida de moradores de diferentes regiões da Bahia e do país.
