Durigan rebate projeção do FMI de que dívida pública pode alcançar 100% do PIB brasileiro

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contesta a projeção do FMI de que a dívida pública brasileira pode atingir 100% do PIB em 2027, apontando diferenças metodológicas entre as duas instituições e apresentando um caminho claro para estabilizar e reduzir o endividamento por meio de superávits primários e crescimento econômico sustentável.

Durigan está em Washington, nos Estados Unidos, para encontros com líderes globais e discutir a trajetória fiscal do Brasil em meio a um cenário internacional de aumento de juros e incertezas. Ele afirma que a estimativa do FMI utiliza critérios diferentes dos adotados pelo governo, o que, na sua leitura, inflaria o tamanho da dívida. O ministro enfatiza que a discussão não reflete a prática fiscal do país nem o desenho do arcabouço fiscal em vigor.

“A principal diferença é metodológica”, afirmou. “Há títulos do Tesouro que ficam custodiados no Banco Central e não são usados para financiamento da dívida. Ainda assim, o FMI inclui esse montante no cálculo.”

Durigan argumenta que parte dessas posturas está relacionada a ativos da chamada “carteira livre” do Banco Central, que, segundo ele, não cumprem função de financiamento do setor público e não deveriam ser contabilizados como dívida efetiva. A equipe econômica sustenta que a inclusão desses ativos gera distorção na comparação internacional, pois o FMI aplica uma metodologia padronizada entre países que inclui esses títulos no endividamento bruto. Mesmo diante da divergência, o ministro reconhece a dívida pública como preocupação central do governo e garante que há um plano para estabilizar e, a médio prazo, reduzir esse indicador.

Na visão do governo, a leitura é prejudicada pela contabilização desses ativos, o que torna a comparação com outros países menos fiel. O FMI, por outro lado, mantém a padronização que facilita esse tipo de comparação, mesmo com as especificidades brasileiras. Durigan reforça que a diferença não muda o compromisso da equipe econômica com a estabilidade da trajetória da dívida e com a redução ao longo do tempo.

A estratégia de longo prazo passa pela geração de superávits primários nos próximos anos, conforme previsto no novo arcabouço fiscal. O ministro destaca que a economia brasileira tem apresentado resultados acima das expectativas do mercado e, nos últimos anos, acima também das previsões do FMI. Esse desempenho favorece a arrecadação e melhora a relação entre dívida e PIB, contribuindo para um cenário mais favorável de ajuste fiscal.

Na avaliação da equipe econômica, o crescimento econômico mais robusto, aliado ao controle de despesas públicas, tende a sustentar uma trajetória de redução da dívida. A tentativa é evitar uma escalada descontrolada do endividamento, mantendo a curva de dívida sob controle sem frear a atividade econômica nem prejudicar empregos e investimentos. Durigan sustenta que o foco é dar resiliência à economia, mantendo o equilíbrio fiscal e promovendo reformas que permitam avanço sem comprometer a recuperação.

A discussão entre FMI e governo revela uma busca por credibilidade fiscal em meio a um ambiente externo desafiador. Enquanto o FMI utiliza uma metodologia padronizada para comparar países, o Brasil defende uma leitura que, segundo Durigan, reflete as especificidades nacionais e a eficácia de um arcabouço fiscal recente. O consenso, para o ministro, é claro: equilíbrio fiscal aliado ao crescimento é o caminho para evitar surpresas negativas no longo prazo.

E você, leitor, como avalia a sustentabilidade da dívida pública brasileira diante dessas divergências entre FMI e governo? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre a trajetória fiscal, o papel do crescimento e as medidas que podem tornar o país mais resiliente diante de cenários diferentes daqui para frente.

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