A servidora da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Jéssica Galvão Mendes, de 34 anos, recebeu em dezembro de 2025 o diagnóstico de câncer de tireoide e enfrenta o desafio de realizar a cirurgia indicada, após a negativa da autorização pela gestão de saúde pública local. Ela recorre à Justiça e montou uma vaquinha online para angariar cerca de R$ 100 mil, sinalizando um debate sobre o tempo de espera pela rede pública e as dificuldades de acesso ao tratamento.
A história de Jéssica começa com uma preocupação familiar que já marcava sua vida: um histórico de câncer na família. Exames de rotina identificaram nodulações na tireoide, e a biópsia confirmou o câncer. O diagnóstico foi confirmado em dezembro de 2025. Mesmo com o avanço da doença, quatro meses se passaram sem a realização da cirurgia, enquanto a fila na rede pública segue lenta para casos que demandam intervenção no Hospital de Base.
“Receber esse diagnóstico foi um dos momentos mais difíceis da minha vida, pois, além de todos os problemas de saúde que já convivo, agora estaria enfrentando o mais cruel deles”, disse Jéssica, citando também a convivência com a esclerose múltipla.
Segundo a versão de Jéssica, o GDF Saúde, administrado pelo Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do DF (Inas), negou a autorização para a cirurgia proposta pela médica que a acompanha. Diante dessa negativa, ela partiu para a via judicial, além de abrir uma vaquinha online para tentar viabilizar o tratamento por meios particulares. Entre as informações divulgadas, ela apontou a necessidade de arrecadar cerca de R$ 100 mil e disponibilizou a chave Pix [email protected] para quem puder ajudar.
Em meio ao impasse, Jéssica afirma que o tempo de espera na fila pode chegar a até dois anos, o que, para quem enfrenta um câncer, significa risco de evolução da doença. Ela relata que foi prometido um retorno somente daqui a sete meses para avaliar a evolução dos nódulos, prazo que pode permitir mais avanços do câncer, incluindo metástases, conforme o histórico da paciente.
O Inas-DF afirmou que está analisando o caso de Jéssica e que dará retorno após concluir o levantamento das informações. O instituto disse que pedidos de cirurgia podem ser negados quando não estiverem previstos no regulamento do plano, mas que situações desse tipo podem passar por reavaliação caso a caso, com divergências entre o que é solicitado e o previsto no regulamento influenciando o tempo de análise.
A reportagem também tentou contato com a Secretaria de Saúde, responsável por classificar o risco e a posição de cada paciente na fila de procedimentos na rede pública do DF, incluindo o Hospital de Base, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço continua aberto para manifestações oficiais.
Entenda o câncer de tireoide
O câncer de tireoide é uma doença em que células da glândula tireoide passam a crescer de forma descontrolada, formando um tumor. Em alguns casos, o fator limitante é a disseminação para os linfonodos do pescoço, o que indica uma forma mais avançada da doença. O tratamento principal costuma ser cirúrgico, com retirada total ou parcial da tireoide (tireoidectomia). Quando há comprometimento dos linfonodos, pode ser necessária a remoção dessas estruturas para reduzir o risco de progressão.
Após a cirurgia, podem ser indicados tratamentos complementares, como quimioterapia e radioterapia, dependendo do caso. A história de Jéssica, com a busca por vias judiciais e arrecadação comunitária, ilustra o desafio de equilibrar a necessidade clínica com as regras administrativas da saúde pública, e acende o debate sobre como acelerar procedimentos que impactam diretamente a vida de pacientes com câncer na cidade.
Para quem acompanha de perto casos de saúde pública, a situação de Jéssica aponta para a importância de avaliações ágeis, transparência nas decisões de autorização de cirurgias e caminhos alternativos que possam reduzir o tempo entre o diagnóstico e o tratamento, sem comprometer a qualidade do cuidado. O desfecho depende de decisões judiciais, de revisões administrativas e do envolvimento da comunidade em buscar soluções para a vulnerabilidade de pacientes em situação crítica.
E você, leitora e leitor, o que pensa sobre o equilíbrio entre atendimento público e alternativas privadas para casos graves como o de Jéssica? Quais mudanças seriam mais eficazes para reduzir atrasos e garantir acesso rápido a tratamentos que salvam vidas? Compartilhe sua opinião nos comentários e ajude a ampliar o debate sobre saúde pública na nossa cidade.

